Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

O camaleão, o carvalho e o arco-íris cor de rosa

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Pensei em ocupar os três reinos, animal, vegetal e mineral, mas por fim optei por destacar o arco-íris no lugar do terceiro elemento simbólico em virtude da força do símbolo no tocante ao que me proponho a aqui explicar. E devo lembrar também que para alguns há a lenda de que no final do arco-íris encontra-se um pote de ouro (mineral), bem, no nosso caso faremos alusão a esta fortuna adjetivando nosso arco-íris como sendo cor de rosa. Claro esta também que existem nomes técnicos para alguns dos quadros clínicos que irei abordar aqui, como, por exemplo, psicopatia ou sociopatia, no entanto, pretendo discorrer de forma mais alegre e menos técnica sobre pessoas com as quais todos nós convivemos no nosso dia-a-dia, mesmo que nem sempre percebamos as nuances mais sutis de seu comportamento.


Pensemos aqui o termo camaleão de modo semelhante ao adotado pela cultura popular quando esta utiliza o termo em referência a camuflagem e mudança de cor de tais animais, adaptando-se e confundindo-se com o meio, tornando-os menos visíveis, como uma característica de algumas pessoas, as quais seriam percebidas socialmente como pessoas volúveis e maleáveis no tocante ao seu comportamento e a facilidade de adaptá-lo ao ambiente no qual transitam. Tal termo pode ter uma conotação negativa, assemelhando-se a falsidade, ou uma conotação positiva, assemelhando-se a flexibilidade, de qualquer modo, este termo está presente coloquialmente em linguagem figurada visando adjetivar qualidades de algumas pessoas. O camaleão humano é um especialista em se confundir com a paisagem, qualquer que seja a paisagem.
O camaleão, figurativamente falando, também pode ser visto como um predador humano, um predador social, que sabe se disfarçar de modo a que as demais pessoas não percebam suas verdadeiras intenções. Camaleões humanos mudam sua cor para se adaptarem a ambientes ou situações, estratégia que os ajuda a passarem despercebidos e poderem agir impunemente. Estamos diante de um caçador, de um predador em busca de sua presa e se não ficarmos atentos seremos nós a vítima. Sua aparente inocência pode esconder grande agressividade.
Camaleões são predadores de pequenos insetos e camaleões humanos são predadores de outros humanos. Eu sou profissional naquilo que faço, o camaleão humano também, só que ele é profissional da enganação, esta é a grande diferença, enquanto os demais profissionais querem mostrar pela sua boa imagem o que de fato são, este busca mostrar quem não é por meio de uma falsa imagem que esconda sua verdadeira natureza, atividade e interesses. Tais pessoas são muito boas em fingirem ser o que de fato não são, por sua vez, as pessoas em geral, mesmo profissionais como, por exemplo, psicólogos e policiais, não são muito boas em perceber de fato quando alguém está mentindo, mesmo acreditando que são capazes de o fazerem. As pessoas procuram monstros horríveis e não cordeiros encantadores e o camaleão sabe ser o que bem quiser na hora em que assim o desejar. Pior ainda se levarmos em consideração que a grande maioria das pessoas acredita piamente que o comportamento privado pode ser previsto a partir do comportamento demonstrado publicamente, o que é um ledo engano do qual o camaleão sempre se aproveita.
Gentileza e simpatia na dose certa e quando necessário for irão muito bem encobrir uma outra esfera não tão agradável de ser observada. Camaleões quando querem possuem uma capacidade natural de demonstrarem publicamente que são pessoas sedutoras, agradáveis, sinceras e honestas, atraindo para si a confiança e por vezes paixão das demais pessoas. As pessoas esquecem ou simplesmente não sabem que gentileza não é um traço de caráter e sim uma decisão consciente que pode ser usada para manipular o comportamento de outras pessoas.
Não somente no sentido criminoso podemos entender tais seres, pois os mesmos estão presentes mesmo nas mais inocentes interações sociais. Um bom exemplo histórico para um camaleão social, se formos buscar uma contribuição na Grécia antiga, seria o general e também estadista Alcebíades, cuja influência perpassou vários Estados, cada qual a sua vez, começando pela cidade Estado Atenas, depois Esparta, em seguida a Pérsia e por fim retornando a Atenas, sempre agraciado pelos seus concidadãos nas cidades onde esteve.
No camaleão humano encontramos o mero prazer da enganação pela enganação e não pelo medo de ser pego sendo o que de fato é, pois a enganação torna-se não somente lucrativa, mas também prazerosa. Nosso camaleão humano é um predador social, mas não necessariamente um criminoso ou algo semelhante. Pode ser alguém estritamente dentro dos padrões das leis vigentes naquele momento histórico no Estado no qual vive, o que tem maior relevância aqui é que seu interesse primário se dá consigo próprio, não havendo qualquer outra consideração com outras pessoas que venha a ocupar um lugar de primazia sobre si-próprio. Em geral o camaleão humano, quando não adentra em atividade puramente ilegais, tende a prosperar e ser bem sucedido e admirado pelos que com ele convivem. Camaleões humanos não sentem remorsos ou preocupação genuína e desapegada por outras pessoas, nem se intimidam diante da possibilidade de sofrerem conseqüências danosas decorrentes de seus atos.
Altamente manipulares, charmosos e sedutores, atraem para si, se assim desejarem, a companhia de pessoas interessantes e socialmente valorizadas. Mesmo aqueles que são por eles enganados e ludibriados, por vezes ainda sentem a sua falta, pois sua presença era importante em  suas vidas, proporcionando-lhes excitação e alegrias. Um camaleão humano não se sente culpado se sua camuflagem nos engana e por meio da mesma tira de nós alguma vantagem, em verdade, o sentimento aqui não é de culpa ou remorso e sim de orgulho pela bela camuflagem que resultou em um perfeito engano para o inseto que foi sua refeição. Tais pessoas podem produzir temor se assim o desejarem, mas em geral fabricam encantamento nas demais pessoas. Não se trata de um vilão e sim de um sedutor camaleão que com seu encanto arrebata a todos, mesmo aos que trai em sua inocência e credulidade.
Camaleões humanos sabem perfeitamente identificar arco-íris cor de rosa humanos como suas potenciais vítimas e grandes carvalhos como lugar de inspiração e abrigo de tempestades sociais. Sabem bem separar o metal sem valor do metal nobre e valorizado. O camaleão precisa saber com que lida, para saber quem ele próprio será naquela situação social. O camaleão sabe estudar suas presas e usar de camuflagem para tornar-se igual ao que as pessoas com quem venha a conviver gostariam de ter como amigo durante sua infância ou adolescência, busca as carências e crenças e se adapta às mesmas vindo a preenchê-las como a pessoa ideal que nós sempre quisemos como amigo.
Podemos também pensar que algumas pessoas se assemelham a um carvalho, árvore tida como símbolo da vida e da evolução em direção a patamares mais elevados. Nos lembra a teoria proposta pelo psicólogo Alfred Adler, na qual o inferior luta em direção a superação de suas inferioridades, tornando seus pontos mais fracos nos mais fortes. A planta do carvalho pode nascer pequena, indefesa e vulnerável, mas com o passar dos anos se torna em um grande, forte e vigoroso carvalho. O grande filósofo Sócrates foi um carvalho humano e como ele, muitos outros, alguns famosos, outros anônimos.


Carvalhos humanos não se curvam facilmente diante de um vendaval, continuam altivos e firmes em seus postos lutando pelo que acreditam ser a verdade e os valores que aceitam como justos. Carvalhos não abandonam o que fazem para meramente salvar suas próprias vidas, pois acreditam que antes precisam salvar seus ideais, fugir não faz parte de sua rotina de vida. Com calma e resistência, deixam claro a todos que não irão desistir, independente do ataque que possam vir a sofrer. Carvalhos um dia terão sua história contada, senão por outro motivo, pela bravura na perseverança em seus ideais.
Um velho carvalho sabe tudo sobre camaleões e arco-íris cor de rosa, bem poderia ser um ou outro se o quisesse e por vezes se questiona se não seria melhor ser um arco-íris cor de rosa humano do que um velho carvalho bem preso as suas raízes, aos seus ideais e formação. Sabe bem que poderia ser um camaleão, mas escolhe ser um carvalho e do alto de suas ramagens vê o embuste da camuflagem do camaleão.


Algumas pessoas se fossem se metamorfosear em algo, este algo seria um arco-íris cor de rosa, pois, lembro que o arco-íris é no contexto bíblico do Antigo Testamento o símbolo da promessa de deus, Javé, de que não ocorreriam outros dilúvios. Arco-íris cor de rosa humanos são pessoas que querem ver a bondade no mundo, sentido e significado nas coisas aleatórias, em verdade, trata-se aqui da maioria das pessoas com suas crenças em um mundo ordenado por meio de uma vontade superior e que buscam um sentido em deus ou em uma divindade superior para explicar mesmo as coisas que carecem de sentido e são totalmente indiferentes à bondade ou maldade, ao que você faz ou deixa de fazer, a quem você é ou foi nesta vida.
Algumas pessoas parecem colocar lentes cor de rosa, pois vêem o mundo somente por um prisma que exclui a maldade e em todos conseguem ver bondade e amizade, tornando-se vítimas potenciais de predadores astutos. Algumas pessoas de fato escolhem acreditar que há bondade em todos a sua volta. O mundo no qual vivemos tem a ver com nossas crenças, de fato, nossas crenças determinam o mundo no qual vivemos e podem ser usadas facilmente contra nós. O irônico da questão é que pensamentos positivos e otimismo nos fazem mais felizes e tornam nossa vida física e emocionalmente melhor, no entanto, simultaneamente nos proporcionam maior facilidade para sermos vítimas de predadores de todos os tipos que tendem a se aproveitar de nossa inocência e de nosso desejo de não querer ver a crueldade grotesca presente em algumas pessoas. Ser otimista e ter pensamentos positivos nos tornam mais saudáveis e felizes e disto não há dúvidas, mas simultaneamente nos tornam também mais vulneráveis.
Todas estas pessoas vivem em um mesmo mundo? Apesar de fisicamente o mundo ser o mesmo para todos, cada qual vive no mundo pertencente ao conjunto de seus saberes e crenças. O mundo percebido por um camaleão humano não será de modo algum idêntico ao percebido por um carvalho ou por um arco-íris cor de rosa. Claro está que alguns destes mundos são mais amplos do que outros e que algumas visões da realidade nos tornam mais propensos a sermos vistos como vítimas em potencial por predadores sociais. Uma visão mais ampla da realidade, somada a fortes valores morais e sociais, pode também gerar sofrimento ao grande carvalho, diante da visão da estupidez humana e da vastidão do conhecimento ainda não alcançado. Penso que para nós o importante é sabermos que as pessoas são diferentes, que possuem um grande potencial para ser desenvolvido e que nem sempre são aquilo que aparentam ser.
Também importante é termos consciência que mesmo que não saibamos, podemos hoje estar caminhando potencialmente em direção a sermos vítimas de algum predador social e que, portanto, para nossa própria sobrevivência, temos de ter cuidado com nossas crenças e inocência.
Arco-íris cor de rosa humanos teimam em afirmar que a desgraça sempre ocorre com o outro e nunca com elas próprias, acreditam que podem ter controle sobre o que de bom ou ruim ocorre em suas vidas e seguem rituais irracionais para obterem o que desejam e preservar a integridade do que acreditam ser e ter. O carvalho pode ser grande e imponente, mas está firmemente preso as suas raízes, por sua vez, o camaleão é ágil e se movimenta com facilidade nos mais diversos terrenos sociais em um mundo onde predominam pessoas arco-íris cor de rosa. São modos de vida e de interação social que quando devidamente compreendidos nos permitem um melhor convívio em sociedade, bem como, uma vida mais ampla e gratificante.

Pergunta: Você gostou? Com qual personagem figurativo você mais se identifica aqui e quais aspectos de personalidade ou interação social lhe parecem mais importantes e significativos? O que mais você gostaria de acrescentar ou falar?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

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