Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

O camaleão, o carvalho e o arco-íris cor de rosa

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Pensei em ocupar os três reinos, animal, vegetal e mineral, mas por fim optei por destacar o arco-íris no lugar do terceiro elemento simbólico em virtude da força do símbolo no tocante ao que me proponho a aqui explicar. E devo lembrar também que para alguns há a lenda de que no final do arco-íris encontra-se um pote de ouro (mineral), bem, no nosso caso faremos alusão a esta fortuna adjetivando nosso arco-íris como sendo cor de rosa. Claro esta também que existem nomes técnicos para alguns dos quadros clínicos que irei abordar aqui, como, por exemplo, psicopatia ou sociopatia, no entanto, pretendo discorrer de forma mais alegre e menos técnica sobre pessoas com as quais todos nós convivemos no nosso dia-a-dia, mesmo que nem sempre percebamos as nuances mais sutis de seu comportamento.


Pensemos aqui o termo camaleão de modo semelhante ao adotado pela cultura popular quando esta utiliza o termo em referência a camuflagem e mudança de cor de tais animais, adaptando-se e confundindo-se com o meio, tornando-os menos visíveis, como uma característica de algumas pessoas, as quais seriam percebidas socialmente como pessoas volúveis e maleáveis no tocante ao seu comportamento e a facilidade de adaptá-lo ao ambiente no qual transitam. Tal termo pode ter uma conotação negativa, assemelhando-se a falsidade, ou uma conotação positiva, assemelhando-se a flexibilidade, de qualquer modo, este termo está presente coloquialmente em linguagem figurada visando adjetivar qualidades de algumas pessoas. O camaleão humano é um especialista em se confundir com a paisagem, qualquer que seja a paisagem.
O camaleão, figurativamente falando, também pode ser visto como um predador humano, um predador social, que sabe se disfarçar de modo a que as demais pessoas não percebam suas verdadeiras intenções. Camaleões humanos mudam sua cor para se adaptarem a ambientes ou situações, estratégia que os ajuda a passarem despercebidos e poderem agir impunemente. Estamos diante de um caçador, de um predador em busca de sua presa e se não ficarmos atentos seremos nós a vítima. Sua aparente inocência pode esconder grande agressividade.
Camaleões são predadores de pequenos insetos e camaleões humanos são predadores de outros humanos. Eu sou profissional naquilo que faço, o camaleão humano também, só que ele é profissional da enganação, esta é a grande diferença, enquanto os demais profissionais querem mostrar pela sua boa imagem o que de fato são, este busca mostrar quem não é por meio de uma falsa imagem que esconda sua verdadeira natureza, atividade e interesses. Tais pessoas são muito boas em fingirem ser o que de fato não são, por sua vez, as pessoas em geral, mesmo profissionais como, por exemplo, psicólogos e policiais, não são muito boas em perceber de fato quando alguém está mentindo, mesmo acreditando que são capazes de o fazerem. As pessoas procuram monstros horríveis e não cordeiros encantadores e o camaleão sabe ser o que bem quiser na hora em que assim o desejar. Pior ainda se levarmos em consideração que a grande maioria das pessoas acredita piamente que o comportamento privado pode ser previsto a partir do comportamento demonstrado publicamente, o que é um ledo engano do qual o camaleão sempre se aproveita.
Gentileza e simpatia na dose certa e quando necessário for irão muito bem encobrir uma outra esfera não tão agradável de ser observada. Camaleões quando querem possuem uma capacidade natural de demonstrarem publicamente que são pessoas sedutoras, agradáveis, sinceras e honestas, atraindo para si a confiança e por vezes paixão das demais pessoas. As pessoas esquecem ou simplesmente não sabem que gentileza não é um traço de caráter e sim uma decisão consciente que pode ser usada para manipular o comportamento de outras pessoas.
Não somente no sentido criminoso podemos entender tais seres, pois os mesmos estão presentes mesmo nas mais inocentes interações sociais. Um bom exemplo histórico para um camaleão social, se formos buscar uma contribuição na Grécia antiga, seria o general e também estadista Alcebíades, cuja influência perpassou vários Estados, cada qual a sua vez, começando pela cidade Estado Atenas, depois Esparta, em seguida a Pérsia e por fim retornando a Atenas, sempre agraciado pelos seus concidadãos nas cidades onde esteve.
No camaleão humano encontramos o mero prazer da enganação pela enganação e não pelo medo de ser pego sendo o que de fato é, pois a enganação torna-se não somente lucrativa, mas também prazerosa. Nosso camaleão humano é um predador social, mas não necessariamente um criminoso ou algo semelhante. Pode ser alguém estritamente dentro dos padrões das leis vigentes naquele momento histórico no Estado no qual vive, o que tem maior relevância aqui é que seu interesse primário se dá consigo próprio, não havendo qualquer outra consideração com outras pessoas que venha a ocupar um lugar de primazia sobre si-próprio. Em geral o camaleão humano, quando não adentra em atividade puramente ilegais, tende a prosperar e ser bem sucedido e admirado pelos que com ele convivem. Camaleões humanos não sentem remorsos ou preocupação genuína e desapegada por outras pessoas, nem se intimidam diante da possibilidade de sofrerem conseqüências danosas decorrentes de seus atos.
Altamente manipulares, charmosos e sedutores, atraem para si, se assim desejarem, a companhia de pessoas interessantes e socialmente valorizadas. Mesmo aqueles que são por eles enganados e ludibriados, por vezes ainda sentem a sua falta, pois sua presença era importante em  suas vidas, proporcionando-lhes excitação e alegrias. Um camaleão humano não se sente culpado se sua camuflagem nos engana e por meio da mesma tira de nós alguma vantagem, em verdade, o sentimento aqui não é de culpa ou remorso e sim de orgulho pela bela camuflagem que resultou em um perfeito engano para o inseto que foi sua refeição. Tais pessoas podem produzir temor se assim o desejarem, mas em geral fabricam encantamento nas demais pessoas. Não se trata de um vilão e sim de um sedutor camaleão que com seu encanto arrebata a todos, mesmo aos que trai em sua inocência e credulidade.
Camaleões humanos sabem perfeitamente identificar arco-íris cor de rosa humanos como suas potenciais vítimas e grandes carvalhos como lugar de inspiração e abrigo de tempestades sociais. Sabem bem separar o metal sem valor do metal nobre e valorizado. O camaleão precisa saber com que lida, para saber quem ele próprio será naquela situação social. O camaleão sabe estudar suas presas e usar de camuflagem para tornar-se igual ao que as pessoas com quem venha a conviver gostariam de ter como amigo durante sua infância ou adolescência, busca as carências e crenças e se adapta às mesmas vindo a preenchê-las como a pessoa ideal que nós sempre quisemos como amigo.
Podemos também pensar que algumas pessoas se assemelham a um carvalho, árvore tida como símbolo da vida e da evolução em direção a patamares mais elevados. Nos lembra a teoria proposta pelo psicólogo Alfred Adler, na qual o inferior luta em direção a superação de suas inferioridades, tornando seus pontos mais fracos nos mais fortes. A planta do carvalho pode nascer pequena, indefesa e vulnerável, mas com o passar dos anos se torna em um grande, forte e vigoroso carvalho. O grande filósofo Sócrates foi um carvalho humano e como ele, muitos outros, alguns famosos, outros anônimos.


Carvalhos humanos não se curvam facilmente diante de um vendaval, continuam altivos e firmes em seus postos lutando pelo que acreditam ser a verdade e os valores que aceitam como justos. Carvalhos não abandonam o que fazem para meramente salvar suas próprias vidas, pois acreditam que antes precisam salvar seus ideais, fugir não faz parte de sua rotina de vida. Com calma e resistência, deixam claro a todos que não irão desistir, independente do ataque que possam vir a sofrer. Carvalhos um dia terão sua história contada, senão por outro motivo, pela bravura na perseverança em seus ideais.
Um velho carvalho sabe tudo sobre camaleões e arco-íris cor de rosa, bem poderia ser um ou outro se o quisesse e por vezes se questiona se não seria melhor ser um arco-íris cor de rosa humano do que um velho carvalho bem preso as suas raízes, aos seus ideais e formação. Sabe bem que poderia ser um camaleão, mas escolhe ser um carvalho e do alto de suas ramagens vê o embuste da camuflagem do camaleão.


Algumas pessoas se fossem se metamorfosear em algo, este algo seria um arco-íris cor de rosa, pois, lembro que o arco-íris é no contexto bíblico do Antigo Testamento o símbolo da promessa de deus, Javé, de que não ocorreriam outros dilúvios. Arco-íris cor de rosa humanos são pessoas que querem ver a bondade no mundo, sentido e significado nas coisas aleatórias, em verdade, trata-se aqui da maioria das pessoas com suas crenças em um mundo ordenado por meio de uma vontade superior e que buscam um sentido em deus ou em uma divindade superior para explicar mesmo as coisas que carecem de sentido e são totalmente indiferentes à bondade ou maldade, ao que você faz ou deixa de fazer, a quem você é ou foi nesta vida.
Algumas pessoas parecem colocar lentes cor de rosa, pois vêem o mundo somente por um prisma que exclui a maldade e em todos conseguem ver bondade e amizade, tornando-se vítimas potenciais de predadores astutos. Algumas pessoas de fato escolhem acreditar que há bondade em todos a sua volta. O mundo no qual vivemos tem a ver com nossas crenças, de fato, nossas crenças determinam o mundo no qual vivemos e podem ser usadas facilmente contra nós. O irônico da questão é que pensamentos positivos e otimismo nos fazem mais felizes e tornam nossa vida física e emocionalmente melhor, no entanto, simultaneamente nos proporcionam maior facilidade para sermos vítimas de predadores de todos os tipos que tendem a se aproveitar de nossa inocência e de nosso desejo de não querer ver a crueldade grotesca presente em algumas pessoas. Ser otimista e ter pensamentos positivos nos tornam mais saudáveis e felizes e disto não há dúvidas, mas simultaneamente nos tornam também mais vulneráveis.
Todas estas pessoas vivem em um mesmo mundo? Apesar de fisicamente o mundo ser o mesmo para todos, cada qual vive no mundo pertencente ao conjunto de seus saberes e crenças. O mundo percebido por um camaleão humano não será de modo algum idêntico ao percebido por um carvalho ou por um arco-íris cor de rosa. Claro está que alguns destes mundos são mais amplos do que outros e que algumas visões da realidade nos tornam mais propensos a sermos vistos como vítimas em potencial por predadores sociais. Uma visão mais ampla da realidade, somada a fortes valores morais e sociais, pode também gerar sofrimento ao grande carvalho, diante da visão da estupidez humana e da vastidão do conhecimento ainda não alcançado. Penso que para nós o importante é sabermos que as pessoas são diferentes, que possuem um grande potencial para ser desenvolvido e que nem sempre são aquilo que aparentam ser.
Também importante é termos consciência que mesmo que não saibamos, podemos hoje estar caminhando potencialmente em direção a sermos vítimas de algum predador social e que, portanto, para nossa própria sobrevivência, temos de ter cuidado com nossas crenças e inocência.
Arco-íris cor de rosa humanos teimam em afirmar que a desgraça sempre ocorre com o outro e nunca com elas próprias, acreditam que podem ter controle sobre o que de bom ou ruim ocorre em suas vidas e seguem rituais irracionais para obterem o que desejam e preservar a integridade do que acreditam ser e ter. O carvalho pode ser grande e imponente, mas está firmemente preso as suas raízes, por sua vez, o camaleão é ágil e se movimenta com facilidade nos mais diversos terrenos sociais em um mundo onde predominam pessoas arco-íris cor de rosa. São modos de vida e de interação social que quando devidamente compreendidos nos permitem um melhor convívio em sociedade, bem como, uma vida mais ampla e gratificante.

Pergunta: Você gostou? Com qual personagem figurativo você mais se identifica aqui e quais aspectos de personalidade ou interação social lhe parecem mais importantes e significativos? O que mais você gostaria de acrescentar ou falar?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

domingo, 12 de junho de 2011

Casca vazia

Por: Silvério da Costa Oliveira.

O ser humano vazio de valores e impregnado pela influência volátil das mídias apresenta-se como uma casca vazia, sem conteúdo, sem coisa alguma que o faça digno da humanidade que a rigor possui.
A nossa sociedade valoriza a aparência, nada contra, afinal, nossa aparência diz muito sobre o que somos, fazemos, pensamos e queremos. Sabendo olhar para alguém vemos muito mais do que esta gostaria que víssemos, no entanto, o fato curioso está que nossa aparência externa, nossa produção diária, não passa do papel que embrulha o presente que somos nós. Ocorre, no entanto, que algumas pessoas se preocupam tanto com o papel de presente que esquecem do próprio presente que deveria estar nele contido.
Parece que algumas pessoas são detentoras de um profundo vazio existencial, cuja imensidão não preenchida assusta mentes incautas e pode proporcionar em algum momento uma imperiosa necessidade de ser preenchido com algo, seja lá o que for, como se a dor de uma caixa vazia pudesse ser suprimida ao se encher esta caixa com lixo. Daí as pessoas se atiram de corpo e alma, com tudo de seu ser vazio em uma religião de fachada, também vazia em outro nível, convertem-se a isto ou aquilo outro e para calar a voz interior que diz que tudo aquilo é falso e sem sentido, buscam a confirmação da veracidade e do sentido na compulsiva tentativa de converter a outros para o mesmo caminho, agora doravante trilhado na convicção que pela inundação de novos conteúdos possam aplacar os gritos do silêncio que emanam da profundidade abismal de seu vazio interior. Se antes eram fúteis, continuam sendo, mesmo sem o saber.


Como um elegante manequim bem vestido dentro de uma vitrine de loja, algumas pessoas mostram uma casca de extrema beleza, produzida com o uso não somente de uma peculiar combinação genética e de um biotipo socialmente valorizado, mas também pela contribuição de competentes salões de cabeleireiro e manicure, por conceituadas lojas de roupas de grife e pelo jovial encanto da juventude dada de graça e desperdiçada por coisa alguma. Ao olharmos o conjunto não temos como não admirar tais pessoas, com sua postura e beleza sedutora paga no cartão de crédito, no entanto, olhando bem nos olhos e penetrando este olhar por esta janela da alma, sentimos de imediato um sentimento de angústia e medo ao sermos jogados do alto para o nada sem pára-quedas que reduza a velocidade desta queda no nada que deveria ser uma pessoa, seus valores, conceitos, experiência, formação, crenças, superstições, esperanças, motivações, desejos, ambições e direcionamento.
Casca vazia humana, lugar onde centra-se e concentra-se a hipocrisia e futilidade plenamente presente em uma vida não vivida, em uma vida inútil. Sua vida e mesmo sua morte não passam de um mero número, pois, sua contribuição para a humanidade é puramente quantitativa e não qualitativa. Irá ajudar a compor as “massas” acéfalas que compõem o pior do que podemos vislumbrar em um ser-humano. Sem sentido, quando a juventude se vai o desespero chega e se a isto se soma uma perda social qualquer, como, por exemplo, um namorado ou algo equivalente, a inserção em um falso mundo religioso após súbita conversão é praticamente certa. Aquele ou aquela que sequer sabe quem é, agora pensa, se é que consegue tal feito, ter encontrado a deus e quer levar a todos para o caminho, ou descaminho, que este passou a ardorosamente seguir.
Estas pessoas não conseguem viver sem o uso de algum tipo de muletas emocionais (religião, drogas, álcool, amor ou sexo obsessivo, etc.), pois, consideram a vida um fardo por demais pesado para ser por elas carregado, não vêem a beleza, pois, estão envoltas na dor do medo. Como suportar a vida que elas nunca viveram, que sempre temeram, ignoraram e fingiram não existir? Para viver não basta ser a imagem imóvel de um manequim humano vestido com marcas da moda em meio aos agitos da noite para mostrar-se a sociedade. Para viver de fato é preciso começar a ser alguma coisa, e esta coisa é você e não meramente a marca de roupas que você usa para fazer parte de sua tribo. Assumir-se com tudo de bom e ruim que você é, sem acreditar que sua vida será maravilhosa quando fizer mais uma cirurgia plástica no nariz que só você enxerga como feio ou anormal para o seu biotipo.
Não estou negando o valor ou a beleza da embalagem, muito pelo contrário, reconheço a beleza do papel que envolve um presente como algo socialmente importante, mas cabe frisar que trata-se somente do papel de embrulho e por melhor e mais bonito que este seja, quando desembrulhamos nosso presente, esperamos encontrar algo dentro da linda embalagem e algo que seja condizente com a beleza da própria embalagem. Sempre é uma decepção abrir uma caixa vazia, quando aguardávamos encontrar nela um presente.

Pergunta: O que vai dentro desta bela casca corresponde à beleza de seu exterior?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Parafuso humano

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Na vida, sair de um ponto e chegar a outro requer objetivos e por sua vez, a formulação de objetivos é um sinal de inteligência e criatividade. Para se obter sucesso nesta nossa vida é preciso traçar um rumo a seguir, ter um direcionamento que nos proporcione sentido e significado para nossa singular existência. Traçar objetivos na vida de modo correto é algo que demanda que saibamos de onde viemos, onde estamos agora e para onde vamos a seguir. Este caminhar por um caminho previamente escolhido em direção a uma dada meta é também uma demonstração de sanidade mental, pois, pessoas mentalmente doentes têm dificuldades em traçar e seguir um rumo satisfatório para suas vidas, de modo construtivo para si próprias e o social e não de modo destrutivo.
Há, no entanto, pessoas doentes e que requerem tratamento e orientação em suas vidas, pois, apesar de saírem de determinado ponto, não chegam a lugar algum. Tais pessoas parecem que andam em círculos e retornam sempre ao mesmo ponto, sem de fato apresentarem progresso visível, elas mais parecem um parafuso se prendendo a um mesmo ponto e tornando-se cada vez mais preso a cada nova volta, giram e giram, mas não saem do mesmo lugar.


Um parafuso humano é o que de fato são, muitas vezes em decorrência de um comportamento doentio ou de um quadro clínico não devidamente tratado, como no caso, por exemplo, do transtorno obsessivo compulsivo – TOC (conhecido em Psicanálise por neurose obsessiva compulsiva). Algumas pessoas de fato andam em parafuso, vão para frente e voltam para trás, não chegando a ponto algum. A solução seria se tratarem, buscando orientação e ajuda profissional de alguém competente na área específica de seu problema e que tenha demonstrado resultados positivos no tratamento e orientação de outros casos similares, no entanto, muitas vezes, se algum amigo ou meramente conhecido arrisca-se a apontar esta falha em sua vida não vivida, insistindo na necessidade de ajuda profissional, mais não consegue além de um rumoroso rompimento de relações. Parece que todos percebem que a pessoa em questão, por mais virtudes que possa ter, não vai realmente para frente na vida, menos a própria pessoa em questão.
Quando as pessoas entram em parafuso sua vida fica deveras confusa e cria-se a aparência mais do que real de que tudo está girando e que as mesmas coisas estão se repetindo em nossas vidas, na seqüência constatamos que nossa atividade profissional, nosso trabalho, passa a ser, também, prejudicado, pois, ou não evoluímos ou perdemos o emprego, não conseguimos crescer profissionalmente por mais competentes que possamos ser. Também nos estudos a vida não segue adiante, se por determinação, sorte ou oportunidade conseguimos a muito custo concluir o ensino básico (no Brasil é a soma da educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio) ou mesmo um curso superior, no entanto, daí para frente nada mais se consegue. Pode, no entanto, parar ainda no ensino médio ou ao chegar ao ensino de nível superior ficar trocando de faculdade ou adiando infinitamente a conclusão do curso ou a apresentação de seu trabalho de conclusão de curso – TCC (uma monografia), não obtendo o diploma. Pode também concluir esta etapa, sabe-se lá por qual milagre, e até se matricular mais cedo do que outros alunos em cursos de pós-graduação, como, por exemplo, mestrado em alguma coisa, e mesmo, alardear para todos os colegas e amigos sobre a possibilidade de cursar esta pós-graduação, este mestrado, este MBA, e, no entanto, não conseguir ela própria concluir o curso, talvez por buscar uma perfeição doentia e inexistente fora de sua louca fantasia.
Em determinado momento as amizades também são atingidas e por mais duradouras que estas possam ser, tendem a sucumbir ao efeito parafuso que abarca toda a vida desta pessoa, que, tal qual um redemoinho no oceano, faz naufragar qualquer embarcação, não permitindo que coisa alguma viva ali consiga obter um direcionamento que não seja sucumbir à força do redemoinho sendo levado para o fundo, bem fundo, de onde nunca sairá. As amizades começam a naufragar, uma a uma, e a pessoa mais do que doente continua a aceitar condicionalmente suas amizades novas e antigas. Sinal visível de tal comportamento doentio é tornar os relacionamentos afetivos explicitamente condicionais ao efeito parafuso e quem não aceitar será cuspido fora, aliás, devo frisar que verdadeiros amigos não aceitam uma amizade condicional vinculada a algo doentio que torna uma vida em parafuso.


Mesmo profissionais da área de saúde não estão livres de verem suas vidas embarcarem em um redemoinho revolto, de não irem para frente nem para trás, presas a um movimento rotacional que as mantêm cada vez mais presas onde estão. A solução, por vezes difícil de aceitar, difícil a ponto de romper amizades com quem insistir neste ponto, é com certeza a busca de ajuda e orientação profissional. Cabe a pessoa não meramente entender seu problema, mas fazer algo enfaticamente para mudar, logo, precisa de uma abordagem mais intervencionista, menos voltada unicamente ao autoconhecimento de sua patologia e mais voltada para a mudança de comportamento e cognição. O fato de alguém ser da área de saúde não lhe impede de tentar elaborar mais certas coisas com acompanhamento de um colega especialista em mudança de comportamento, afinal, médicos, psicólogos e demais profissionais que tratam de outros também adoecem e precisam a sua vez serem também cuidados.
Tais pessoas em parafuso, com seu comportamento desproporcional aos fatos vividos, chegam a deixarem chateadas e preocupadas as pessoas com as quais convivem, isto é, se estas de fato se importam em algum nível com a que está em parafuso. Claro está que o caminho não é este e a pessoa deveria observar e ver bem o que está fazendo com a vida, com sua própria e única vida, desperdiçada inutilmente. Cuidado com os exageros, pois, é importante manter um comportamento adequado aos fatos vividos, pense bem no caminho que está trilhando em sua vida. Caberia aqui pensar, dedicando uns bons momentos para refletir sobre a vida e os rumos que você está dando a ela.
Quando falo em parafuso, talvez algumas pessoas pensem que a pessoa em questão está “pirando”, o que vulgarmente falando não fugiria da realidade. Quando a vida está em parafuso, abre-se espaço cada vez maior para uma depressão violenta ou mesmo suicídio, além da pessoa poder caminhar nas águas do transtorno obsessivo compulsivo – TOC (neurose obsessiva compulsiva, para os psicanalistas), da psicose paranóica ou simplesmente paranóia, do transtorno ou síndrome do pânico, dentre outros quadros clínicos que podem aqui estar presente em maior ou menor escala.
Na seqüência, bem pode demonstrar comportamento agressivo, como o de um animal feroz quando acuado e passar a atacar todos aqueles que estão próximos, seja proximidade física ou emocional, pois, é preferível enxergar o problema em outro do que em nós próprios e assim a pessoa continua em parafuso, não chegando a lugar algum e perdendo aos poucos suas verdadeiras amizades, ficando só, isolada e mau-humorada acreditando que tudo está girando loucamente ao seu redor, quando de fato é ela própria que gira e não tudo o mais, mas, vá tentar contar ao parafuso que é ele próprio que está girando e não tudo o mais, isto fere a sua percepção e tende a não ser aceito como verdade.
Buscando fugir dos comentários dos amigos e conhecidos que apontam seu comportamento irracional e a querem salvar do redemoinho pode muito bem o parafuso humano valer-se de argumentos que questionem a raiz da veracidade da observação das outras pessoas e dos fatos narrados e apontados cruamente, preferindo afirmar que a verdade é relativa, no entanto, a verdade não é relativa, isto é mero engodo para prejudicar a humanidade.
Com um comportamento continuamente desproporcional aos fatos, cada vez mais afunda em seu próprio redemoinho, emocionalmente longe dos chamados preocupantes dos amigos e conhecidos estarrecidos diante de tal crueldade auto-imposta e aparentemente aceita incondicionalmente. Tais parafusos humanos precisam fazer tratamento psicoterápico e uma sugestão possível seria a abordagem comportamental cognitiva, tais pessoas precisam tocar sua vida para frente e não ficar em parafuso, como estão agora e sempre, constantemente em tudo o que tentam fazer e não conseguem.

Pergunta: Você é ou conhece algum parafuso humano? O que você diria para ajudar ou o que você pensa sobre o assunto?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)