Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

Blog "Ser Escritor": http://www.doutorsilverio.blogspot.com.br

Blog "Comportamento Crítico": http://www.doutorsilverio42.blogspot.com.br

Blog "Uma boa idéia: Uma grande viagem": http://www.doutorsilverio51.blogspot.com.br

Site: http://www.doutorsilverio.com

E-mails encaminhados para doutorsilveriooliveira@gmail.com serão respondidos e comentados excluindo-se nomes e outros dados informativos de modo a manter o anonimato das pessoas envolvidas. Você é bem vindo!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Transformação e aceitação

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Nascimento, desenvolvimento e morte, esta é a história básica da vida e neste ínterim alguns indivíduos conseguem desenvolver uma consciência de estarem presentes como um ser único e vivente neste mundo. Conjuntamente com a consciência de ser alguém vem à formação de uma identidade e de uma imagem pessoal, esta imagem, no entanto, sofre transformação durante toda a vida e requer uma adaptação também na identidade que este ser possui.
Uma criança de cinco ou dez anos de idade tem uma determinada aparência física, também possui valores e relações sociais e afetivas que se transformam a cada novo ano, novas vivências e aprendizado estão presentes, bem como o desenvolvimento natural do organismo. Aos quinze anos temos uma aparência física e uma idéia do que sejamos nós neste mundo, na sociedade e família da qual fazemos parte. Nossa identidade é algo muito importante e está associada à imagem que temos de nós mesmos e que procuramos mostrar aos demais seres que compartilham conosco esta existência, no entanto, a vida prossegue e temos de passar por fases distintas e cada qual com seu nível de profundidade e complexidade, tal é o caso da infância, da adolescência, da vida adulta e do posterior envelhecimento. Infelizmente, nem todas as pessoas conseguem se adaptar as mudanças inevitáveis que cada novo ano nos trás.


Saber encarar um espelho e gostar de si-mesmo é algo deveras difícil para muitas pessoas e com o passar dos anos torna-se também mais complicado na medida em que aquele rosto e corpo que o espelho nos devolve não correspondem mais a uma imagem guardada em nossa memória e profundamente vinculada a nossa identidade pessoal. Saber envelhecer requer aprendizagem e também suportar o luto pela morte de uma parte de nós que deixa de existir, simultaneamente ao nascimento de muitas e gratificantes coisas novas, como os brotos no tronco de uma velha árvore.
Quando falo em envelhecer e luto pelo que se perdeu, não me refiro unicamente a assim chamada terceira idade ou melhor idade, mas refiro-me a todas as perdas, a começar pela perda da primeira infância quando podíamos brincar despreocupadamente, da perda de sermos crianças e depois da perda de nossa adolescência, também da perda da inocência perante o mundo e por aí em diante, afinal, a cada nova escolha tomada perdemos o resultado das escolhas preteridas. Nós somos hoje não somente o resultado de nossas escolhas, mas o fruto do que deixamos ou perdemos de ser quando escolhemos algo outro, algo diverso, deixando para trás caminhos e atalhos não tomados, não vividos, não percorridos.
Festejar o que somos hoje ou lamentar o que deixamos de ser também é uma escolha, mas acima de tudo é preciso coragem para viver e seguir em frente buscando a realização plena do sentido único de nossas vidas e não nos curvando as perdas inevitáveis e sofridas do passado. Há o tempo de chorar e o tempo de rir e claro está também que a vida é um misto de amargo e doce. Saber viver também é compreender que tudo faz parte e que os momentos importantes não acabam jamais, mas ficam eternizados em nossa memória. Aquelas pessoas que muito amamos e que um dia saíram de nossas vidas, em verdade não morreram e nem morrerão enquanto nós estivermos vivos, pois elas são parte integrante não somente de nossas lembranças, mas do que somos nós hoje e vivem em nós da mesma forma que nós viveremos em algumas pessoas significativas após nossa partida.
A tristeza e a alegria se mesclam em uma mistura toda particular que é a vida, a nossa vida em sua unicidade. Viva hoje em intensidade, pois este momento é único e também irá passar. Disto resta afirmar ou re-afirmar que a transformação é uma constante em nossa vida e a verdadeira maturidade emocional está em sermos capazes de exercer aceitação diante da inevitabilidade destas transformações. Diante do espelho não devemos ver somente a nossa imagem e sim o desenvolvimento integral de um ser em seu percurso pela vida. A transformação é algo inevitável e constante, nossa aceitação também deve ser.

Pergunta: Diante da vida, da sua e da nossa vida, o que você pensa e sente sobre mudança, transformação e aceitação?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O papel sócio-político das novas mídias nos movimentos de massa

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Entendo ser interessante repensar a importância das mídias, em particular dentro dos novos procedimentos "on line" e os atuais movimentos sociais. Estamos na iminência de algo novo que irá romper com os atuais paradigmas vigentes e por isto mesmo fica difícil para esta geração identificar corretamente as dimensões dos fatos que agora estamos vivendo ou observando. As revoluções do Oriente e da África, bem como também em Portugal (geração à rasca; ps. no Brasil diríamos: enrascada ou em dificuldade), tiveram sem dúvida alguma presente em suas tramas sociais a importância do Twitter, do Facebook e de outras ferramentas digitais ou mais amplamente falando, da Internet. Penso que podemos comparar neste caso a Internet, enquanto instrumento presente em tais movimentos, aos canhões, também enquanto instrumentos, presentes na queda do Império Romano do Oriente ao derrubar os muros de Constantinopla.


Nos recentes protestos mundiais presenciados no começo de 2011 ficou claro e patente a importância das redes sociais visando articular e repercutir de modo eminentemente mais intenso e organizado os protestos ocorridos em uma dada região, para outras regiões. Claro também está que não foram às redes sociais as causadoras ou motivadoras de tais protestos, não foram elas sequer as sementes para o surgimento de um sentimento de revolta, pois, as condições sociais e políticas pré-existiam, como, por exemplo, em alguns destes países temos um profundo autoritarismo proveniente de autoridades que se perpetuam no governo há décadas, além da presença polêmica e constante dos interesses norte-americanos nestas regiões do planeta. Os governos eram sabidamente entendidos pelas populações de seus respectivos países como sendo ruins, coube as redes sociais unicamente servirem como catalisadoras da reação, permitindo que fatos ocorridos em um dado local fossem rapidamente levados a outro local, gerando um efeito cascata em prol de mudanças e sensibilizando a todos para a importância de movimentos a princípio isolados, no que estes tinham de potencial em termos de revolta e protesto legítimo.
Os fatos ocorridos nestes países, em particular no oriente médio, terão repercussão não somente em questões políticas, mas também em questões de segurança, fazendo com que os governos revejam seu planejamento diante das atuais e futuras redes sociais, tentando por um lado desarticular um possível movimento popular independente com base na proliferação de idéias por meio de tais redes, e por outro lado, proporcionando estratégias de controle e operacionalização de tais redes em benefício de políticas governamentais e da manipulação da população para que venha a acreditar e se comportar de acordo com os interesses dominantes, como de certo modo já é hoje feito nas mídias tradicionais, como, por exemplo, a tv e também a mídia impressa (jornais e revistas).
Hoje a Internet é o único campo realmente democrático e que permite a expressão genuína de todos para todos, o que a torna extremamente subversiva e perigosa aos olhos dos mais diversos governos tradicionais, o que irá gerar, ou melhor dizendo, já está gerando uma seqüência de tentativas governamentais, políticas e também por meio de agências de segurança, para prover novos procedimentos de rastreamento e controle de tudo o que se passa hoje na Internet e claro esta que todos os gestores de empresas que atuam na Internet provendo os mais distintos acessos estão sujeitos a pressões por parte dos governos visando a impor controle e castrar vozes anônimas de persistente oposição ou mero questionamento.
Uma grande vantagem dos meios disponíveis hoje pela Internet para articulação de um movimento social forte e independente de qualquer governo se dá diante da possibilidade que tais instrumentos proporcionam diante de uma rápida mobilização social com um custo financeiro extremamente baixo e a todos acessível, livre de burocracias e do peso político sindical por vezes desnecessário e contra-producente a um verdadeiro movimento de massas reivindicando direitos básicos. As novas redes sociais trazem consigo novos atores para a política internacional, que terá de se adaptar aos mesmos, tentando adestrá-los e extrair o seu potencial destrutivo e renovador.
As relações tradicionais presentes na estrutura governamental e nos sindicatos são verticais, onde existe uma linha de comando e poder que deve ser seguida, já nas novas mídias esta relação é horizontal, onde todos dialogam com todos, o que é extremamente revolucionário em si mesmo. Uma característica das relações tradicionais quando comparada às novas mídias é que a verticalização da linha de comando da primeira a torna mais lenta, enquanto a horizontalização do comando e do diálogo na segunda a torna eminentemente muito rápida e sem aparente controle. Diante do exposto, para enfrentar uma ação ou seqüências de ações efetuadas por grupos em dada rede social, somente estruturando outros grupos contrários aos primeiros e fazendo uso das mesmas redes sociais, pois, neste campo só se pode combater a informação emitida por uma rede, de dentro da própria rede social por meio dos mesmos instrumentos usados.
Falar que as novas mídias tendem a beneficiar mais a um determinado tipo de governo, seja este ditatorial ou democrático, carece de sentido, como também carece de sentido afirmar que os movimentos populares recentes nas quais as novas mídias tiveram um papel não pequeno representam a ponta do iceberg de uma estratégia de dominação mundial efetuada por grupos políticos, econômicos ou religiosos. Em verdade, tais movimentos são totalmente descentralizados e nisto se assemelham às mídias que utilizam, não podendo as mesmas ser monopolizadas por uma determinada ideologia (econômica, religiosa, política ou outra), podem, sim, serem usadas a favor de regimes ditatoriais, como também de regimes democráticos. O que de fato temos é um empoderamento de pessoas de posse do acesso rápido e barato a um número realmente muito grande de outras pessoas, o que se dá pelos mais distintos meios, dentre os quais o Orkut, muito comum aqui no Brasil, o Facebook, os blogs e sites, as mensagens instantâneas via MSN ou Twitter e diversos outros meios de divulgação existentes hoje na Internet mundial. Cabe aqui destacar que estes meios são diferentes se comparamos o Ocidente, com, por exemplo, a China ou o Japão ou a Coréia, onde os programas e sistemas reinantes são distintos e competem com marcas ocidentais tais como o Google, o Blogger e o Wordpress, dentre outras.
O aspecto catalisador que as novas mídias exercem no social proporciona uma maior rapidez e aceleração na velocidade de propagação de noticias e eventos, de modo que torna possível a concretização de fatos políticos que não teriam ocorrido sem esta rápida difusão descentralizada de uma mensagem. Não diria que as novas mídias são causa única de uma dada mudança sócio-cultural e política em determinado país, mas digo, sim, que sem elas as condições reinantes previamente existentes não teriam como sozinhas propiciar uma mudança dentro do tempo hábil necessário para sua concretização. Dito de outra forma, as novas mídias não podem ser responsabilizadas sozinhas como causa de uma revolução popular, mas sem a rápida difusão e a descentralização da informação por elas proporcionada, conjuntamente com o empoderamento do indivíduo, que passa a poder falar com todos, expondo suas idéias independente de quem este seja ou do cargo e posição social que ocupe, não teríamos, também, uma revolução neste momento histórico em particular.

Pergunta: Qual a sua opinião sobre a importância das mídias nos movimentos sociais de grande vulto?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Baratas: A sociedade e os intelectuais

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Por: Silvério da Costa Oliveira.
Certas cenas são de fato impagáveis e destas o seriado Arquivo X, que teve nove temporadas de 1993 até 2002 mais dois filmes levados ao cinema, está repleto. Neste momento penso em particular no episódio “A guerra das baratas” e nas cenas por demais absurdas interpretadas com o máximo de seriedade e profissionalismo por parte dos atores, como se fosse algo do mais natural possível e com uma realidade e dramaticidade impecável. Lembro que revi por diversas vezes este episódio em particular e uma destas vezes com um amigo, também intelectual, o que acabou motivando, entre risos e ironias, associar as baratas aos intelectuais, pois, nada pior do que uma barata irônica.

Cuidado Mulder! Nós não sabemos do que estas baratas são capazes”.
Bambi
Be careful. We don’t know what these cockroaches are capable of”.
Arquivo X – The X files
Terceira temporada, episódio número 12
Episódio: A guerra das baratas – War of the coprophages

Desde que o mundo é mundo, lá estão as baratas e mesmo se compararmos registros muito antigos e já fossilizados com as baratas atuais e contemporâneas, veremos que pouco mudaram. Apesar de haverem tipos diferentes de baratas, todas possuem traços comuns que as identificam dentro do grupo maior do qual fazem parte. Em geral solitárias, no entanto, algumas espécies se apresentam como gregárias, buscando a companhia de outras baratas. Durante o dia se escondem, saindo somente à noite, a não ser que precisem sair no período diurno buscando alimento e água ou em virtude de haver neste local um grande excesso populacional de baratas. As baratas têm uma grande capacidade de adaptação ao meio ambiente, de modo a persistirem em sua existência neste mundo, não por milhares e sim por milhões de anos.


Intelectuais às vezes são como baratas recebendo um jornal dobrado ou uma chinelada daqueles que não os entendem, não os suportam e mesmo possuem horror e asco de uma barata tão terrível que sequer gosta de futebol ou da novela da moda e pior ainda se for uma barata que não goste de bigs brothers. Mas as baratas persistem, não morrem ou desaparecem, e há tipos diferentes das mesmas, há aquelas baratas mais ligadas numa leitura e aquelas mais voltadas para a arte ou o cinema. Em geral baratas intelectuais não são muito sociais, se bem que haja também espécies gregárias, que buscam, incluso, não somente a companhia de outras baratas, para escândalo da comunidade “baratesca” e incredulidade dos demais seres que acreditam estarem vivos. Em verdade, baratas humanas parecem até que se escondem, em virtude dos locais e horários onde preferem estarem presentes.
O sonho de muitos seria exterminá-las e não poucos governos ditatoriais assim tentaram proceder, no entanto, por mais que os demais seres tentem se livrar das mesmas, no final, há sempre uma barata perto de você. São irritantes, sempre contradizendo a veracidade e obviedade dos fatos, em particular dos veiculados pela mídia televisiva. Basta uma grande nação divulgar com relação a um terrorista de renome que capturou, matou e jogou ao mar seu corpo, que lá estão as baratas dizendo que tudo é mentira, farsa e enganação e pedindo para que não nos atentemos aos detalhes produzidos para enganar a população e sim na visão geral e global dos fatos e perguntando em seguida pelo corpo de modo irônico e sarcástico. Ah! Estas baratas, como são chatas querendo com seus barulhinhos diminutos nos acordar de nosso sono profundo.
Como seria bom um mundo sem baratas, baratas humanas pensam demais e acabam fazendo com que outros seres tenham a dolorosa experiência de também pensar, que coisa horrível! Afinal, é tão bom não pensar...
Mas o pior de tudo é que baratas humanas são irônicas e nunca sabemos ao certo quando estão sérias ou brincando, quando estão se auto-satirizando ou satirizando a outros seres. Rir de uma piada de barata acaba sendo incômodo até para outra barata, afinal, será que existe realmente algo para rir ou tudo não passa de loucura puramente insana? Oh! deus, pedem os demais seres, dai-nos um mundo sem baratas. Enquanto isto, estas coisinhas horrorosas provavelmente pedem em seus pensamentos mais íntimos: Oh! baratas, dai-nos um mundo sem deus.

Pergunta: Grande irmão, você já pensou que bacana seria um mundo sem baratas?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)