Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

Blog "Ser Escritor": http://www.doutorsilverio.blogspot.com.br

Blog "Comportamento Crítico": http://www.doutorsilverio42.blogspot.com.br

Blog "Uma boa idéia: Uma grande viagem": http://www.doutorsilverio51.blogspot.com.br

Site: http://www.doutorsilverio.com

E-mails encaminhados para doutorsilveriooliveira@gmail.com serão respondidos e comentados excluindo-se nomes e outros dados informativos de modo a manter o anonimato das pessoas envolvidas. Você é bem vindo!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Repensando a vida por meio de Nietzsche

Por: Silvério da Costa Oliveira.

O homem é o animal mais cruel contra si mesmo; e, em todos os que se dizem ‘pecadores’ e ‘penitentes’ e ‘portadores de cruz’, não vos passe despercebida a volúpia que há nesses lamentos e acusações!” NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Assim falou Zaratustra: Um livro para todos e para ninguém. p. 225 (terceira parte da obra – o convalescente, 3).



Há quem queira igualar e não diferenciar filosofia, de história da filosofia, mas há uma diferença, pois, quando fazemos história da filosofia somos fiéis ao pensamento de outros e quando fazemos filosofia somos fiéis ao nosso próprio pensamento. Aqui minha intenção não é fazer história da filosofia. No meu entendimento o filósofo é o grande crítico social, exercendo sua crítica racional sobre os valores reinantes, explicitando conceitos e significados em busca da origem e vinculações dos mesmos a valores e idéias na sua relação intrínseca com a vida e a natureza.
Pensar o ser humano dentro de uma dualidade, seja esta entre mente e corpo ou entre mundo das aparências e mundo real, entre o ser e o dever ser, entre o bem e o mal, entre amor e ódio, entre deus e demônio ou entre santos e pecadores, como qualquer outra dualidade, em verdade, mais do que dividir, nega-se a vida em prol da anti-vida, da negação da vida, da afirmação do nada, do niilismo em suas diversas apresentações.
O ser humano é um ser voltado a um destino ainda por vir, mas que deve ser criado hoje, trata-se não de um ser acabado, mas sim de uma ponte entre algo que deve deixar de ser e algo novo que se anuncia e entenda-se este algo novo não como um super homem, dando-se a ilusão que se reforça os valores e aspirações deste humano contemporâneo, mas não, é preciso que este finde sua existência e não que esta seja super valorizada, menos que um super homem, trata-se do advento de um além do homem, de uma superação deste ser humano, da construção de um ser que não negue a vida e sim que a afirme em todos os seus atos e palavras, alguém que não viva pelo niilismo e ressentimento tão bem expresso pelas religiões (cristianismo, budismo, islamismo, judaísmo, etc.) e sim pela vontade, não de poder, mas sim de potência.
O ser humano contemporâneo deve ser percebido como uma ponte, uma corda tencionada ligando os dois lados de um abismo, de um lado o que há e deve findar, cujo destino é o ocaso, de outro lado o porvir enquanto superação e exaltação, um ser ao qual podemos denominar como além do homem. O homem não é uma meta, mas sim algo a ser superado.
Nietzsche em “Assim falou Zaratustra” nos afirma que o homem é uma corda estendida entre o animal e o além-do-homem, uma corda sobre um abismo, segundo Nietzsche toda grandeza do homem está justamente em ser o mesmo uma ponte, uma transição e um ocaso.
O cheiro de putrefação incomoda os narizes mais sensíveis quando diversos grupos e correntes tentam ressuscitar um ser mítico que morreu faz tempo acometido de profunda compaixão. Em verdade, tal ser mítico foi morto pela compaixão e amor que nutriu pela humanidade, este foi seu inferno e sua morte.
Este ser mítico está morto, mas não é correto a partir deste fato inegável afirmar que tudo é permitido, pois esta crença na total permissividade esconde uma mentira que por sua vez re-afirma a vida e não a morte de tal ser, em verdade, tal ser mítico morto não pode tornar tudo permitido, pois, nunca foi ele análogo à verdade ou ao princípio.
A negação de deus não pode ser confundida com a mera troca de deuses. O dogmatismo presente em correntes de pensamento não passa de uma ortodoxia religiosa na qual deus se esconde em meio a sua negação pela presença do que mais profundamente lhe caracteriza. Coisas materiais ou mesmo estados alterados da consciência provocados pelo uso imoderado de substâncias químicas também não negam a deus, mas simplesmente o substitui. Em todos estes e outros casos continua-se a cultuar algo que denigre a vida e valoriza o nada, pois, antes há o homem de querer o nada, a nada querer.
Este mundo não é um vale de lágrimas e não há um outro mundo perfeito e repleto de felicidade. O único mundo onde a felicidade é possível é este no qual estamos, pois, esta realidade é a única existente e qualquer outra concepção filosófica religiosa que diga o contrário condena o ser humano a viver na miséria mental e física. Nós não somos escravos, então, não nos comportemos como escravos. Somos senhores de nossa vida, valores e destino.
É uma ilusão acreditar que o ser humano é imperfeito e tal ilusão se agarra à idéia de um ser perfeito que não somos nós. Ao buscarmos a origem de tal absurdo não esbarramos na religião e sim na filosofia, pois, este erro provém da filosofia de Platão e de seu conceito teórico de um mundo das idéias do qual nós somos cópias imperfeitas. Ignorantes podem acreditar que denegrir o humano como um ser imperfeito é uma concepção religiosa cristã, mas estão errados, sua origem é platônica e a religião cristã ao apregoar um mundo de imperfeição em comparação com um mundo perfeito, mas não existente em parte alguma, nada mais faz se não platonismo para o povo. Somos perfeitos, porque somos únicos. Cada um de nós é perfeito em sua essência humana e continuará sua perfeição enquanto não quiser copiar a qualquer outro e sim ser a si próprio. Eu sou perfeito e você também o é, a não ser que prefira ser à sombra de uma cópia.
Cabe ao ser humano entender que ele próprio é o grande mentor de sua vida e só a ele cabe a total responsabilidade pela vida que vive, pelo que é e como se expressa. Cabe ao ser humano destruir velhos valores que negam a vida e afirmam o niilismo e construir novos valores, afirmativos da vida e do surgimento de um além do homem. Cabe repensarmos e atuarmos na transmutação de todos os valores. Para o filósofo, mais importante do que afirmar valores morais deve ser sempre a busca da origem de tais valores.
Ao se desprezar o corpo, despreza-se em verdade a própria vida, pois o corpo somos nós em nossa totalidade e integridade genuína. Não somos dois, somos um. Qualquer dicotomia filosófica religiosa é de fato uma negação da própria vida e como tal deve ser combatida e não passivamente acatada.

Livros e textos de minha autoria, gratuitos nos meus sites na Internet, com outras reflexões sobre o pensamento de Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900):

Comentário a Nietzsche”, capítulo 6 do livro “Reflexões filosóficas: Uma pequena introdução à filosofia”.

Crítica da vontade de verdade”, capítulo 4 do livro “Estudos de psicologia e filosofia”.

Sobre Nietzsche”, Blog “Ser Escritor” quarta-feira, 5 de dezembro de 2007.

Blog “Comportamento Crítico” sexta-feira, 15 de outubro de 2010.

Niilista”, Blog “Ser Escritor” quarta-feira, 22 de abril de 2009.
Blog “Comportamento Crítico” sexta-feira, 15 de outubro de 2010.

 Estudante do curso de filosofia”, Blog “Ser Escritor” segunda-feira, 1 de junho de 2009.

Pergunta: Em sua passagem você tem enaltecido ou denegrido a vida?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)


Um comentário:

  1. Oi, Silvério

    Ótimo texto para começar o ano e refletirmos sobre o nosso papel como responsáveis pelas nossas escolhas.

    Márcia

    ResponderExcluir