Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

Blog "Ser Escritor": http://www.doutorsilverio.blogspot.com.br

Blog "Comportamento Crítico": http://www.doutorsilverio42.blogspot.com.br

Blog "Uma boa idéia: Uma grande viagem": http://www.doutorsilverio51.blogspot.com.br

Site: http://www.doutorsilverio.com

E-mails encaminhados para doutorsilveriooliveira@gmail.com serão respondidos e comentados excluindo-se nomes e outros dados informativos de modo a manter o anonimato das pessoas envolvidas. Você é bem vindo!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ovelhas, lobos e curingas

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Na vida, a grande maioria das pessoas comportam-se como ovelhas dentro de um grande rebanho e querem profundamente acreditar que são todas iguais, possuindo verdadeiro medo de se afastarem do rebanho, sendo rotuladas como diferentes. O maior sonho de muitos é ser alguém normal, um dentre muitos, igual a todos os demais. Mas nem todos se comportam como ovelhas em um rebanho, há também os lobos a quem as ovelhas temem e os curingas, que, tal como uma carta em um baralho comum, no baralho da vida não correspondem a qualquer naipe.



Há, claro, aquelas que não deixam de ser ovelhas e de estarem no rebanho, mas se destacam, como Rita Lee o diz em sua música, por serem a ovelha negra da família. Diferentes, mas ainda por demais vinculadas ao rebanho para poderem abdicar de sua condição de ovelha ou mesmo poderem deixar de ver a ilusão do rebanho. Ainda uma ovelha, não mais uma ovelha branca como todas as outras do rebanho, esta se destaca, mas sem deixar sua condição de ovelha.
Contando carneiros e ovelhas as pessoas adormecem no mais profundo sono, deixando sua consciência tranqüila divagar pelas imagens ilusórias do rebanho do qual fazem parte, onde seu maior temor é serem diferentes dos outros e sua tranqüilidade sonorífera é serem iguais, normais, idênticas aos demais. Ouvir as mesmas músicas que seu grupo, amar ou detestar os mesmos grupos musicais, vestir as calças da mesma marca, ter o mesmo corte de cabelo da moda igual a fulano que está em evidência na mídia, ler os livros e ver os filmes que todos lêem e vêem. Ser como os outros, que bom que é, deixar de pensar e não ser responsável pelos seus atos individuais, pois se pensa e se age grupalmente. Neste tocante o nível de inteligência individual procura igualar-se ao das massas, trata-se não mais do indivíduo e sim do rebanho e aqueles que ousam pensar e agir por si, individualmente, são as ovelhas negras da família.
Mas, se bem que a maioria das pessoas se comporte como ovelhas em um rebanho, temos também aquelas que mais se assemelhariam a um lobo solitário. Pelo menos seria assim que as demais ovelhas os veriam temerosas. Um lobo é um animal predador e a ovelha pode muito bem ser a sua presa, no entanto, já que falamos de grupos humanos, não nos referimos literalmente à morte da ovelha pelo lobo e sim simbolicamente a morte de tudo o que representa a ovelha e seu rebanho pelo lobo e é justamente este o grande medo das ovelhas, perderem a ilusão de seu rebanho.



Enquanto a ovelha negra da família ainda é ovelha, ainda mantém vínculos com o rebanho, o lobo não se vê mais como ovelha e sabe muito bem que não faz parte do rebanho. As demais ovelhas podem detestar e expulsar de seu convívio a ovelha negra, aquela que tenta ser ela própria e, portanto, diferente das demais, diferente do rebanho, mas ainda parte do mesmo, no entanto, tem verdadeiro temor do lobo, pois este já rompeu completamente seus vínculos ilusórios com o rebanho e as ovelhas podem ser suas presas para perderem a vida que mantém no rebanho, a ilusão de rebanho.
Existem as alcatéias, mas aqui me refiro mais enfaticamente a figura romântica e simbólica de um lobo solitário se contrapondo a um rebanho de ovelhas, pois, meu objetivo é explicar relações sociais e grupais humanas.
Dado interessante é que em se tratando de vida, de permanecer vivo, crescer e evoluir, na natureza os lobos não são uma ameaça para o ser humano, muito pelo contrário, ocorre que os seres humanos é que são uma séria ameaça a sobrevivência dos lobos, ameaçando a sua espécie, seja pela caça indiscriminada ou pelo envenenamento puro e simples. Aqui, neste nosso momento simbólico, cabe deixar claro que é o rebanho de ovelhas que de fato ameaça a vida e existência dos lobos e não o contrário, pois, não há ovelha, e muito menos rebanho, que não gostasse de ver os lobos mortos e não teriam o menor escrúpulo em participar ativamente desta mortandade. Afinal, para o rebanho de ovelhas o lobo nada mais é do que um animal demoníaco que deve ser ignorado, subjugado e morto. Afinal, Sócrates foi convidado pelos seus concidadãos atenienses a beber o veneno cicuta e Jesus Cristo, também pelos seus concidadãos, a morrer na cruz, isto dentre tantos outros lobos que poderia aqui citar.
Já o Curinga é uma carta de baralho que não se encaixa em qualquer um dos quatro naipes e de acordo com o jogo muda seu valor obedecendo à combinação de cartas nas mãos do jogador. Trata-se de uma carta especial que ao mesmo tempo em que pertence ao baralho, pode por alguns ser simplesmente descartada e jogada fora. Até mesmo sua apresentação é distinta das demais cartas, normalmente se apresenta como um palhaço e no baralho da vida é assim muitas vezes que o rebanho de cordeiros a vê. Diferentemente do lobo, não tem interesse algum em mudar o rebanho, brinca com a vida e se expressa com imoderada alegria que pode muito bem perturbar a paz do rebanho. Sua própria existência é a afirmação da ilusão do rebanho e da comicidade do mesmo, sim, pois o rebanho é algo deveras cômico quando apreciado de um nível superior.


O curinga é uma carta fora do baralho da vida, não pertencente a qualquer naipe, não pertence ao rebanho e não se mostra como lobo, trata-se da carta que pode ser descartada e jogada fora, o palhaço e talvez, a mais importante de todas as cartas, pois, pode assumir qualquer valor, dependendo somente da vontade, interesse e da experiência daquele que a possui. Muitas vezes a expressão é usada para designar uma pessoa que a semelhança com a carta, mostra-se capaz de desempenhar diversas atividades, alguém bem versátil.
No baralho temos quatro naipes de treze cartas cada, perfazendo o total de 52 cartas, mais o curinga, o qual simultaneamente não pertence a naipe algum e, no entanto, a todos pertence. Fora do baralho, não pertencente a qualquer naipe, podendo ser facilmente descartado e mesmo jogado fora por não fazer falta alguma. Único e diferente de todas as outras cartas do baralho, o curinga não somente no baralho de cartas, mas também no baralho da vida, é único e inigualável. Pela sua própria existência o curinga põe a nu a ilusão do rebanho em sua unicidade, por ser um palhaço para o rebanho, mostra e vê o que os outros não ousam enxergar, seu distanciamento mostra-se profundo e gera questionamentos que ultrapassam as crenças na nossa existência, sobre o que somos, fazemos e vivemos. O curinga, com certeza, é o ser mais perigoso para o rebanho e por isto mesmo ignorado, descartado e meramente jogado fora sem maiores e perigosos questionamentos.
É preciso que compreendamos e saibamos que há seres singulares que fazem a diferença e estes são os curingas da vida. Claro está que a grande maioria compõe o rebanho e está visceralmente presa a um enorme mundo de futilidades, cujo nível de profundidade de sua superficialidade mostra-se maior que o próprio universo. Talvez a finalidade, em um plano maior, da existência de curingas no baralho da vida seja gerar fascínio, questionamento sobre a própria existência singular única, repensar o mundo no qual nós vivemos e antever a idéia de algo diferente e que ultrapasse nosso mero olhar provinciano nos transportando em uma viagem sem fim e sem volta.

Pergunta: Tu és um carneiro, um lobo ou um curinga nesta vida?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)


5 comentários:

  1. Este texto dá o que pensar..
    Ao longo da nossa vida é comum assumirmos um ou mais destes papéis sociais, cabendo a escolha e responsabilidade pelas marcas que cada um destes irá imprimir, ao definir maior ou menor grau de adaptação à sociedade versus coesão e equilíbrio interno. São papéis complementares e necessários, inclusive nos processos de mudança.
    Márcia

    ResponderExcluir
  2. Prof. O.R.G.
    Acredito que não só em mim como em muitas outras pessoas, afetos de cordeiro, lobo e curinga perpassam as nossas vidas através dos anos, das circunstâncias e etc. Entretanto, parece-me crível que o desejo de pertencer a um rebanho é algo muito forte....diria até que esse desejo de rebanho é algo que é introjetado em nós desde o nascimento. Os agenciamentos que fazemos nos diversos campos (pensamento, arte, religião...) é que vão determinar que afeto será preponderante em cada um de nós.
    Aproveito desde já para parabenizá-lo pelo belíssimo texto! Gostaria de ser 100% Curinga....mas as vezes não é possível!!!
    O.R

    ResponderExcluir
  3. Amigo Silvério! Grande amigo, grande filósofo, eu te adoro e te admiro muito. Você sabe que eu li todos os seus livros, e ouvi sempre todas as suas grandes elucubrações filosóficas, fazendo sempre minhas críticas mais sinceras. Tenho até hoje seu rascunho do primeiro livro, sabia?
    E, também aquele monte de textos... ufffff
    Você está se superando cada vez mais... Simplesmente amei o texto sobre "ovelhas, lobos e coringas", muito bom.
    Este seu isolamento nesta calmaria faz muito bem para o seu pensar, seu estilo mudou bastante, está mais solto, imagético, maleável e bem humorado, apesar de não ter perdido a seriedade. Um filósofo moderno, eu diria.
    V. R. S.

    ResponderExcluir
  4. acredito q eh impossivel um ser humano não assumir o papel de uma ovelha com a ilusão do rebanho. pelo menos uma vez na vida isto acontece,pois barreiras culturais impõe isto a tds,desde d q nascemos somos manipulados a viver em grupos achando (talves por soh ver um lado da moeda) q seria a maneira mais segura e vantajosa de nos organizarmos.

    não vou ser muito radical ao me definir. creio q assumo o papel de uma ovelha negra.
    pois sou contra de alienação.

    ResponderExcluir
  5. OI.
    Então, vou falar da minha vida, ok?
    Tenho 38 anos e tem 13 anos que sai de ksa com apenas a mochila e roupas. Já me sentir ovelha, um lobo durantes esses treze anos longe da família. E agoro estou construindo com o nome KuringaMovie. Um trabalho de filmagem e fotografia. Deixei se proletariado e estou tentando ganhar o meu sustento nesse ramo. Me sinto na transição de lobo para kuringa. Como disse sou lobo que tem 13 anos que nao vejo ninguém da família(que prato para psicologia kkk)
    Enfim, e nesse novo rumo pra minha vida pessoal e profissional tive que aumentar meus contatos familiares.
    Na adelecência fui ovelha da tripo de metal, época da zuerira.
    E como disse me sinto na transição do lobo para o KURINGAMOVIE.

    Eu adorei seu trabalho, excelente. E digo que vai me ajudar na construção do meu kuringa se não tiver problema para o senho. E também preciso saber sobre direitos autorais do nome kuringa. kkkk

    Deste já agradeço
    Meu nome é Kleber Ivan Faria
    Fsceboke e yahoo kleberivanf@yahoo.com.br

    kuringamovie@gmail.com
    no google+

    Obrigada

    Abraços

    ResponderExcluir