Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

O camaleão, o carvalho e o arco-íris cor de rosa

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Pensei em ocupar os três reinos, animal, vegetal e mineral, mas por fim optei por destacar o arco-íris no lugar do terceiro elemento simbólico em virtude da força do símbolo no tocante ao que me proponho a aqui explicar. E devo lembrar também que para alguns há a lenda de que no final do arco-íris encontra-se um pote de ouro (mineral), bem, no nosso caso faremos alusão a esta fortuna adjetivando nosso arco-íris como sendo cor de rosa. Claro esta também que existem nomes técnicos para alguns dos quadros clínicos que irei abordar aqui, como, por exemplo, psicopatia ou sociopatia, no entanto, pretendo discorrer de forma mais alegre e menos técnica sobre pessoas com as quais todos nós convivemos no nosso dia-a-dia, mesmo que nem sempre percebamos as nuances mais sutis de seu comportamento.


Pensemos aqui o termo camaleão de modo semelhante ao adotado pela cultura popular quando esta utiliza o termo em referência a camuflagem e mudança de cor de tais animais, adaptando-se e confundindo-se com o meio, tornando-os menos visíveis, como uma característica de algumas pessoas, as quais seriam percebidas socialmente como pessoas volúveis e maleáveis no tocante ao seu comportamento e a facilidade de adaptá-lo ao ambiente no qual transitam. Tal termo pode ter uma conotação negativa, assemelhando-se a falsidade, ou uma conotação positiva, assemelhando-se a flexibilidade, de qualquer modo, este termo está presente coloquialmente em linguagem figurada visando adjetivar qualidades de algumas pessoas. O camaleão humano é um especialista em se confundir com a paisagem, qualquer que seja a paisagem.
O camaleão, figurativamente falando, também pode ser visto como um predador humano, um predador social, que sabe se disfarçar de modo a que as demais pessoas não percebam suas verdadeiras intenções. Camaleões humanos mudam sua cor para se adaptarem a ambientes ou situações, estratégia que os ajuda a passarem despercebidos e poderem agir impunemente. Estamos diante de um caçador, de um predador em busca de sua presa e se não ficarmos atentos seremos nós a vítima. Sua aparente inocência pode esconder grande agressividade.
Camaleões são predadores de pequenos insetos e camaleões humanos são predadores de outros humanos. Eu sou profissional naquilo que faço, o camaleão humano também, só que ele é profissional da enganação, esta é a grande diferença, enquanto os demais profissionais querem mostrar pela sua boa imagem o que de fato são, este busca mostrar quem não é por meio de uma falsa imagem que esconda sua verdadeira natureza, atividade e interesses. Tais pessoas são muito boas em fingirem ser o que de fato não são, por sua vez, as pessoas em geral, mesmo profissionais como, por exemplo, psicólogos e policiais, não são muito boas em perceber de fato quando alguém está mentindo, mesmo acreditando que são capazes de o fazerem. As pessoas procuram monstros horríveis e não cordeiros encantadores e o camaleão sabe ser o que bem quiser na hora em que assim o desejar. Pior ainda se levarmos em consideração que a grande maioria das pessoas acredita piamente que o comportamento privado pode ser previsto a partir do comportamento demonstrado publicamente, o que é um ledo engano do qual o camaleão sempre se aproveita.
Gentileza e simpatia na dose certa e quando necessário for irão muito bem encobrir uma outra esfera não tão agradável de ser observada. Camaleões quando querem possuem uma capacidade natural de demonstrarem publicamente que são pessoas sedutoras, agradáveis, sinceras e honestas, atraindo para si a confiança e por vezes paixão das demais pessoas. As pessoas esquecem ou simplesmente não sabem que gentileza não é um traço de caráter e sim uma decisão consciente que pode ser usada para manipular o comportamento de outras pessoas.
Não somente no sentido criminoso podemos entender tais seres, pois os mesmos estão presentes mesmo nas mais inocentes interações sociais. Um bom exemplo histórico para um camaleão social, se formos buscar uma contribuição na Grécia antiga, seria o general e também estadista Alcebíades, cuja influência perpassou vários Estados, cada qual a sua vez, começando pela cidade Estado Atenas, depois Esparta, em seguida a Pérsia e por fim retornando a Atenas, sempre agraciado pelos seus concidadãos nas cidades onde esteve.
No camaleão humano encontramos o mero prazer da enganação pela enganação e não pelo medo de ser pego sendo o que de fato é, pois a enganação torna-se não somente lucrativa, mas também prazerosa. Nosso camaleão humano é um predador social, mas não necessariamente um criminoso ou algo semelhante. Pode ser alguém estritamente dentro dos padrões das leis vigentes naquele momento histórico no Estado no qual vive, o que tem maior relevância aqui é que seu interesse primário se dá consigo próprio, não havendo qualquer outra consideração com outras pessoas que venha a ocupar um lugar de primazia sobre si-próprio. Em geral o camaleão humano, quando não adentra em atividade puramente ilegais, tende a prosperar e ser bem sucedido e admirado pelos que com ele convivem. Camaleões humanos não sentem remorsos ou preocupação genuína e desapegada por outras pessoas, nem se intimidam diante da possibilidade de sofrerem conseqüências danosas decorrentes de seus atos.
Altamente manipulares, charmosos e sedutores, atraem para si, se assim desejarem, a companhia de pessoas interessantes e socialmente valorizadas. Mesmo aqueles que são por eles enganados e ludibriados, por vezes ainda sentem a sua falta, pois sua presença era importante em  suas vidas, proporcionando-lhes excitação e alegrias. Um camaleão humano não se sente culpado se sua camuflagem nos engana e por meio da mesma tira de nós alguma vantagem, em verdade, o sentimento aqui não é de culpa ou remorso e sim de orgulho pela bela camuflagem que resultou em um perfeito engano para o inseto que foi sua refeição. Tais pessoas podem produzir temor se assim o desejarem, mas em geral fabricam encantamento nas demais pessoas. Não se trata de um vilão e sim de um sedutor camaleão que com seu encanto arrebata a todos, mesmo aos que trai em sua inocência e credulidade.
Camaleões humanos sabem perfeitamente identificar arco-íris cor de rosa humanos como suas potenciais vítimas e grandes carvalhos como lugar de inspiração e abrigo de tempestades sociais. Sabem bem separar o metal sem valor do metal nobre e valorizado. O camaleão precisa saber com que lida, para saber quem ele próprio será naquela situação social. O camaleão sabe estudar suas presas e usar de camuflagem para tornar-se igual ao que as pessoas com quem venha a conviver gostariam de ter como amigo durante sua infância ou adolescência, busca as carências e crenças e se adapta às mesmas vindo a preenchê-las como a pessoa ideal que nós sempre quisemos como amigo.
Podemos também pensar que algumas pessoas se assemelham a um carvalho, árvore tida como símbolo da vida e da evolução em direção a patamares mais elevados. Nos lembra a teoria proposta pelo psicólogo Alfred Adler, na qual o inferior luta em direção a superação de suas inferioridades, tornando seus pontos mais fracos nos mais fortes. A planta do carvalho pode nascer pequena, indefesa e vulnerável, mas com o passar dos anos se torna em um grande, forte e vigoroso carvalho. O grande filósofo Sócrates foi um carvalho humano e como ele, muitos outros, alguns famosos, outros anônimos.


Carvalhos humanos não se curvam facilmente diante de um vendaval, continuam altivos e firmes em seus postos lutando pelo que acreditam ser a verdade e os valores que aceitam como justos. Carvalhos não abandonam o que fazem para meramente salvar suas próprias vidas, pois acreditam que antes precisam salvar seus ideais, fugir não faz parte de sua rotina de vida. Com calma e resistência, deixam claro a todos que não irão desistir, independente do ataque que possam vir a sofrer. Carvalhos um dia terão sua história contada, senão por outro motivo, pela bravura na perseverança em seus ideais.
Um velho carvalho sabe tudo sobre camaleões e arco-íris cor de rosa, bem poderia ser um ou outro se o quisesse e por vezes se questiona se não seria melhor ser um arco-íris cor de rosa humano do que um velho carvalho bem preso as suas raízes, aos seus ideais e formação. Sabe bem que poderia ser um camaleão, mas escolhe ser um carvalho e do alto de suas ramagens vê o embuste da camuflagem do camaleão.


Algumas pessoas se fossem se metamorfosear em algo, este algo seria um arco-íris cor de rosa, pois, lembro que o arco-íris é no contexto bíblico do Antigo Testamento o símbolo da promessa de deus, Javé, de que não ocorreriam outros dilúvios. Arco-íris cor de rosa humanos são pessoas que querem ver a bondade no mundo, sentido e significado nas coisas aleatórias, em verdade, trata-se aqui da maioria das pessoas com suas crenças em um mundo ordenado por meio de uma vontade superior e que buscam um sentido em deus ou em uma divindade superior para explicar mesmo as coisas que carecem de sentido e são totalmente indiferentes à bondade ou maldade, ao que você faz ou deixa de fazer, a quem você é ou foi nesta vida.
Algumas pessoas parecem colocar lentes cor de rosa, pois vêem o mundo somente por um prisma que exclui a maldade e em todos conseguem ver bondade e amizade, tornando-se vítimas potenciais de predadores astutos. Algumas pessoas de fato escolhem acreditar que há bondade em todos a sua volta. O mundo no qual vivemos tem a ver com nossas crenças, de fato, nossas crenças determinam o mundo no qual vivemos e podem ser usadas facilmente contra nós. O irônico da questão é que pensamentos positivos e otimismo nos fazem mais felizes e tornam nossa vida física e emocionalmente melhor, no entanto, simultaneamente nos proporcionam maior facilidade para sermos vítimas de predadores de todos os tipos que tendem a se aproveitar de nossa inocência e de nosso desejo de não querer ver a crueldade grotesca presente em algumas pessoas. Ser otimista e ter pensamentos positivos nos tornam mais saudáveis e felizes e disto não há dúvidas, mas simultaneamente nos tornam também mais vulneráveis.
Todas estas pessoas vivem em um mesmo mundo? Apesar de fisicamente o mundo ser o mesmo para todos, cada qual vive no mundo pertencente ao conjunto de seus saberes e crenças. O mundo percebido por um camaleão humano não será de modo algum idêntico ao percebido por um carvalho ou por um arco-íris cor de rosa. Claro está que alguns destes mundos são mais amplos do que outros e que algumas visões da realidade nos tornam mais propensos a sermos vistos como vítimas em potencial por predadores sociais. Uma visão mais ampla da realidade, somada a fortes valores morais e sociais, pode também gerar sofrimento ao grande carvalho, diante da visão da estupidez humana e da vastidão do conhecimento ainda não alcançado. Penso que para nós o importante é sabermos que as pessoas são diferentes, que possuem um grande potencial para ser desenvolvido e que nem sempre são aquilo que aparentam ser.
Também importante é termos consciência que mesmo que não saibamos, podemos hoje estar caminhando potencialmente em direção a sermos vítimas de algum predador social e que, portanto, para nossa própria sobrevivência, temos de ter cuidado com nossas crenças e inocência.
Arco-íris cor de rosa humanos teimam em afirmar que a desgraça sempre ocorre com o outro e nunca com elas próprias, acreditam que podem ter controle sobre o que de bom ou ruim ocorre em suas vidas e seguem rituais irracionais para obterem o que desejam e preservar a integridade do que acreditam ser e ter. O carvalho pode ser grande e imponente, mas está firmemente preso as suas raízes, por sua vez, o camaleão é ágil e se movimenta com facilidade nos mais diversos terrenos sociais em um mundo onde predominam pessoas arco-íris cor de rosa. São modos de vida e de interação social que quando devidamente compreendidos nos permitem um melhor convívio em sociedade, bem como, uma vida mais ampla e gratificante.

Pergunta: Você gostou? Com qual personagem figurativo você mais se identifica aqui e quais aspectos de personalidade ou interação social lhe parecem mais importantes e significativos? O que mais você gostaria de acrescentar ou falar?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

domingo, 12 de junho de 2011

Casca vazia

Por: Silvério da Costa Oliveira.

O ser humano vazio de valores e impregnado pela influência volátil das mídias apresenta-se como uma casca vazia, sem conteúdo, sem coisa alguma que o faça digno da humanidade que a rigor possui.
A nossa sociedade valoriza a aparência, nada contra, afinal, nossa aparência diz muito sobre o que somos, fazemos, pensamos e queremos. Sabendo olhar para alguém vemos muito mais do que esta gostaria que víssemos, no entanto, o fato curioso está que nossa aparência externa, nossa produção diária, não passa do papel que embrulha o presente que somos nós. Ocorre, no entanto, que algumas pessoas se preocupam tanto com o papel de presente que esquecem do próprio presente que deveria estar nele contido.
Parece que algumas pessoas são detentoras de um profundo vazio existencial, cuja imensidão não preenchida assusta mentes incautas e pode proporcionar em algum momento uma imperiosa necessidade de ser preenchido com algo, seja lá o que for, como se a dor de uma caixa vazia pudesse ser suprimida ao se encher esta caixa com lixo. Daí as pessoas se atiram de corpo e alma, com tudo de seu ser vazio em uma religião de fachada, também vazia em outro nível, convertem-se a isto ou aquilo outro e para calar a voz interior que diz que tudo aquilo é falso e sem sentido, buscam a confirmação da veracidade e do sentido na compulsiva tentativa de converter a outros para o mesmo caminho, agora doravante trilhado na convicção que pela inundação de novos conteúdos possam aplacar os gritos do silêncio que emanam da profundidade abismal de seu vazio interior. Se antes eram fúteis, continuam sendo, mesmo sem o saber.


Como um elegante manequim bem vestido dentro de uma vitrine de loja, algumas pessoas mostram uma casca de extrema beleza, produzida com o uso não somente de uma peculiar combinação genética e de um biotipo socialmente valorizado, mas também pela contribuição de competentes salões de cabeleireiro e manicure, por conceituadas lojas de roupas de grife e pelo jovial encanto da juventude dada de graça e desperdiçada por coisa alguma. Ao olharmos o conjunto não temos como não admirar tais pessoas, com sua postura e beleza sedutora paga no cartão de crédito, no entanto, olhando bem nos olhos e penetrando este olhar por esta janela da alma, sentimos de imediato um sentimento de angústia e medo ao sermos jogados do alto para o nada sem pára-quedas que reduza a velocidade desta queda no nada que deveria ser uma pessoa, seus valores, conceitos, experiência, formação, crenças, superstições, esperanças, motivações, desejos, ambições e direcionamento.
Casca vazia humana, lugar onde centra-se e concentra-se a hipocrisia e futilidade plenamente presente em uma vida não vivida, em uma vida inútil. Sua vida e mesmo sua morte não passam de um mero número, pois, sua contribuição para a humanidade é puramente quantitativa e não qualitativa. Irá ajudar a compor as “massas” acéfalas que compõem o pior do que podemos vislumbrar em um ser-humano. Sem sentido, quando a juventude se vai o desespero chega e se a isto se soma uma perda social qualquer, como, por exemplo, um namorado ou algo equivalente, a inserção em um falso mundo religioso após súbita conversão é praticamente certa. Aquele ou aquela que sequer sabe quem é, agora pensa, se é que consegue tal feito, ter encontrado a deus e quer levar a todos para o caminho, ou descaminho, que este passou a ardorosamente seguir.
Estas pessoas não conseguem viver sem o uso de algum tipo de muletas emocionais (religião, drogas, álcool, amor ou sexo obsessivo, etc.), pois, consideram a vida um fardo por demais pesado para ser por elas carregado, não vêem a beleza, pois, estão envoltas na dor do medo. Como suportar a vida que elas nunca viveram, que sempre temeram, ignoraram e fingiram não existir? Para viver não basta ser a imagem imóvel de um manequim humano vestido com marcas da moda em meio aos agitos da noite para mostrar-se a sociedade. Para viver de fato é preciso começar a ser alguma coisa, e esta coisa é você e não meramente a marca de roupas que você usa para fazer parte de sua tribo. Assumir-se com tudo de bom e ruim que você é, sem acreditar que sua vida será maravilhosa quando fizer mais uma cirurgia plástica no nariz que só você enxerga como feio ou anormal para o seu biotipo.
Não estou negando o valor ou a beleza da embalagem, muito pelo contrário, reconheço a beleza do papel que envolve um presente como algo socialmente importante, mas cabe frisar que trata-se somente do papel de embrulho e por melhor e mais bonito que este seja, quando desembrulhamos nosso presente, esperamos encontrar algo dentro da linda embalagem e algo que seja condizente com a beleza da própria embalagem. Sempre é uma decepção abrir uma caixa vazia, quando aguardávamos encontrar nela um presente.

Pergunta: O que vai dentro desta bela casca corresponde à beleza de seu exterior?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Parafuso humano

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Na vida, sair de um ponto e chegar a outro requer objetivos e por sua vez, a formulação de objetivos é um sinal de inteligência e criatividade. Para se obter sucesso nesta nossa vida é preciso traçar um rumo a seguir, ter um direcionamento que nos proporcione sentido e significado para nossa singular existência. Traçar objetivos na vida de modo correto é algo que demanda que saibamos de onde viemos, onde estamos agora e para onde vamos a seguir. Este caminhar por um caminho previamente escolhido em direção a uma dada meta é também uma demonstração de sanidade mental, pois, pessoas mentalmente doentes têm dificuldades em traçar e seguir um rumo satisfatório para suas vidas, de modo construtivo para si próprias e o social e não de modo destrutivo.
Há, no entanto, pessoas doentes e que requerem tratamento e orientação em suas vidas, pois, apesar de saírem de determinado ponto, não chegam a lugar algum. Tais pessoas parecem que andam em círculos e retornam sempre ao mesmo ponto, sem de fato apresentarem progresso visível, elas mais parecem um parafuso se prendendo a um mesmo ponto e tornando-se cada vez mais preso a cada nova volta, giram e giram, mas não saem do mesmo lugar.


Um parafuso humano é o que de fato são, muitas vezes em decorrência de um comportamento doentio ou de um quadro clínico não devidamente tratado, como no caso, por exemplo, do transtorno obsessivo compulsivo – TOC (conhecido em Psicanálise por neurose obsessiva compulsiva). Algumas pessoas de fato andam em parafuso, vão para frente e voltam para trás, não chegando a ponto algum. A solução seria se tratarem, buscando orientação e ajuda profissional de alguém competente na área específica de seu problema e que tenha demonstrado resultados positivos no tratamento e orientação de outros casos similares, no entanto, muitas vezes, se algum amigo ou meramente conhecido arrisca-se a apontar esta falha em sua vida não vivida, insistindo na necessidade de ajuda profissional, mais não consegue além de um rumoroso rompimento de relações. Parece que todos percebem que a pessoa em questão, por mais virtudes que possa ter, não vai realmente para frente na vida, menos a própria pessoa em questão.
Quando as pessoas entram em parafuso sua vida fica deveras confusa e cria-se a aparência mais do que real de que tudo está girando e que as mesmas coisas estão se repetindo em nossas vidas, na seqüência constatamos que nossa atividade profissional, nosso trabalho, passa a ser, também, prejudicado, pois, ou não evoluímos ou perdemos o emprego, não conseguimos crescer profissionalmente por mais competentes que possamos ser. Também nos estudos a vida não segue adiante, se por determinação, sorte ou oportunidade conseguimos a muito custo concluir o ensino básico (no Brasil é a soma da educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio) ou mesmo um curso superior, no entanto, daí para frente nada mais se consegue. Pode, no entanto, parar ainda no ensino médio ou ao chegar ao ensino de nível superior ficar trocando de faculdade ou adiando infinitamente a conclusão do curso ou a apresentação de seu trabalho de conclusão de curso – TCC (uma monografia), não obtendo o diploma. Pode também concluir esta etapa, sabe-se lá por qual milagre, e até se matricular mais cedo do que outros alunos em cursos de pós-graduação, como, por exemplo, mestrado em alguma coisa, e mesmo, alardear para todos os colegas e amigos sobre a possibilidade de cursar esta pós-graduação, este mestrado, este MBA, e, no entanto, não conseguir ela própria concluir o curso, talvez por buscar uma perfeição doentia e inexistente fora de sua louca fantasia.
Em determinado momento as amizades também são atingidas e por mais duradouras que estas possam ser, tendem a sucumbir ao efeito parafuso que abarca toda a vida desta pessoa, que, tal qual um redemoinho no oceano, faz naufragar qualquer embarcação, não permitindo que coisa alguma viva ali consiga obter um direcionamento que não seja sucumbir à força do redemoinho sendo levado para o fundo, bem fundo, de onde nunca sairá. As amizades começam a naufragar, uma a uma, e a pessoa mais do que doente continua a aceitar condicionalmente suas amizades novas e antigas. Sinal visível de tal comportamento doentio é tornar os relacionamentos afetivos explicitamente condicionais ao efeito parafuso e quem não aceitar será cuspido fora, aliás, devo frisar que verdadeiros amigos não aceitam uma amizade condicional vinculada a algo doentio que torna uma vida em parafuso.


Mesmo profissionais da área de saúde não estão livres de verem suas vidas embarcarem em um redemoinho revolto, de não irem para frente nem para trás, presas a um movimento rotacional que as mantêm cada vez mais presas onde estão. A solução, por vezes difícil de aceitar, difícil a ponto de romper amizades com quem insistir neste ponto, é com certeza a busca de ajuda e orientação profissional. Cabe a pessoa não meramente entender seu problema, mas fazer algo enfaticamente para mudar, logo, precisa de uma abordagem mais intervencionista, menos voltada unicamente ao autoconhecimento de sua patologia e mais voltada para a mudança de comportamento e cognição. O fato de alguém ser da área de saúde não lhe impede de tentar elaborar mais certas coisas com acompanhamento de um colega especialista em mudança de comportamento, afinal, médicos, psicólogos e demais profissionais que tratam de outros também adoecem e precisam a sua vez serem também cuidados.
Tais pessoas em parafuso, com seu comportamento desproporcional aos fatos vividos, chegam a deixarem chateadas e preocupadas as pessoas com as quais convivem, isto é, se estas de fato se importam em algum nível com a que está em parafuso. Claro está que o caminho não é este e a pessoa deveria observar e ver bem o que está fazendo com a vida, com sua própria e única vida, desperdiçada inutilmente. Cuidado com os exageros, pois, é importante manter um comportamento adequado aos fatos vividos, pense bem no caminho que está trilhando em sua vida. Caberia aqui pensar, dedicando uns bons momentos para refletir sobre a vida e os rumos que você está dando a ela.
Quando falo em parafuso, talvez algumas pessoas pensem que a pessoa em questão está “pirando”, o que vulgarmente falando não fugiria da realidade. Quando a vida está em parafuso, abre-se espaço cada vez maior para uma depressão violenta ou mesmo suicídio, além da pessoa poder caminhar nas águas do transtorno obsessivo compulsivo – TOC (neurose obsessiva compulsiva, para os psicanalistas), da psicose paranóica ou simplesmente paranóia, do transtorno ou síndrome do pânico, dentre outros quadros clínicos que podem aqui estar presente em maior ou menor escala.
Na seqüência, bem pode demonstrar comportamento agressivo, como o de um animal feroz quando acuado e passar a atacar todos aqueles que estão próximos, seja proximidade física ou emocional, pois, é preferível enxergar o problema em outro do que em nós próprios e assim a pessoa continua em parafuso, não chegando a lugar algum e perdendo aos poucos suas verdadeiras amizades, ficando só, isolada e mau-humorada acreditando que tudo está girando loucamente ao seu redor, quando de fato é ela própria que gira e não tudo o mais, mas, vá tentar contar ao parafuso que é ele próprio que está girando e não tudo o mais, isto fere a sua percepção e tende a não ser aceito como verdade.
Buscando fugir dos comentários dos amigos e conhecidos que apontam seu comportamento irracional e a querem salvar do redemoinho pode muito bem o parafuso humano valer-se de argumentos que questionem a raiz da veracidade da observação das outras pessoas e dos fatos narrados e apontados cruamente, preferindo afirmar que a verdade é relativa, no entanto, a verdade não é relativa, isto é mero engodo para prejudicar a humanidade.
Com um comportamento continuamente desproporcional aos fatos, cada vez mais afunda em seu próprio redemoinho, emocionalmente longe dos chamados preocupantes dos amigos e conhecidos estarrecidos diante de tal crueldade auto-imposta e aparentemente aceita incondicionalmente. Tais parafusos humanos precisam fazer tratamento psicoterápico e uma sugestão possível seria a abordagem comportamental cognitiva, tais pessoas precisam tocar sua vida para frente e não ficar em parafuso, como estão agora e sempre, constantemente em tudo o que tentam fazer e não conseguem.

Pergunta: Você é ou conhece algum parafuso humano? O que você diria para ajudar ou o que você pensa sobre o assunto?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Transformação e aceitação

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Nascimento, desenvolvimento e morte, esta é a história básica da vida e neste ínterim alguns indivíduos conseguem desenvolver uma consciência de estarem presentes como um ser único e vivente neste mundo. Conjuntamente com a consciência de ser alguém vem à formação de uma identidade e de uma imagem pessoal, esta imagem, no entanto, sofre transformação durante toda a vida e requer uma adaptação também na identidade que este ser possui.
Uma criança de cinco ou dez anos de idade tem uma determinada aparência física, também possui valores e relações sociais e afetivas que se transformam a cada novo ano, novas vivências e aprendizado estão presentes, bem como o desenvolvimento natural do organismo. Aos quinze anos temos uma aparência física e uma idéia do que sejamos nós neste mundo, na sociedade e família da qual fazemos parte. Nossa identidade é algo muito importante e está associada à imagem que temos de nós mesmos e que procuramos mostrar aos demais seres que compartilham conosco esta existência, no entanto, a vida prossegue e temos de passar por fases distintas e cada qual com seu nível de profundidade e complexidade, tal é o caso da infância, da adolescência, da vida adulta e do posterior envelhecimento. Infelizmente, nem todas as pessoas conseguem se adaptar as mudanças inevitáveis que cada novo ano nos trás.


Saber encarar um espelho e gostar de si-mesmo é algo deveras difícil para muitas pessoas e com o passar dos anos torna-se também mais complicado na medida em que aquele rosto e corpo que o espelho nos devolve não correspondem mais a uma imagem guardada em nossa memória e profundamente vinculada a nossa identidade pessoal. Saber envelhecer requer aprendizagem e também suportar o luto pela morte de uma parte de nós que deixa de existir, simultaneamente ao nascimento de muitas e gratificantes coisas novas, como os brotos no tronco de uma velha árvore.
Quando falo em envelhecer e luto pelo que se perdeu, não me refiro unicamente a assim chamada terceira idade ou melhor idade, mas refiro-me a todas as perdas, a começar pela perda da primeira infância quando podíamos brincar despreocupadamente, da perda de sermos crianças e depois da perda de nossa adolescência, também da perda da inocência perante o mundo e por aí em diante, afinal, a cada nova escolha tomada perdemos o resultado das escolhas preteridas. Nós somos hoje não somente o resultado de nossas escolhas, mas o fruto do que deixamos ou perdemos de ser quando escolhemos algo outro, algo diverso, deixando para trás caminhos e atalhos não tomados, não vividos, não percorridos.
Festejar o que somos hoje ou lamentar o que deixamos de ser também é uma escolha, mas acima de tudo é preciso coragem para viver e seguir em frente buscando a realização plena do sentido único de nossas vidas e não nos curvando as perdas inevitáveis e sofridas do passado. Há o tempo de chorar e o tempo de rir e claro está também que a vida é um misto de amargo e doce. Saber viver também é compreender que tudo faz parte e que os momentos importantes não acabam jamais, mas ficam eternizados em nossa memória. Aquelas pessoas que muito amamos e que um dia saíram de nossas vidas, em verdade não morreram e nem morrerão enquanto nós estivermos vivos, pois elas são parte integrante não somente de nossas lembranças, mas do que somos nós hoje e vivem em nós da mesma forma que nós viveremos em algumas pessoas significativas após nossa partida.
A tristeza e a alegria se mesclam em uma mistura toda particular que é a vida, a nossa vida em sua unicidade. Viva hoje em intensidade, pois este momento é único e também irá passar. Disto resta afirmar ou re-afirmar que a transformação é uma constante em nossa vida e a verdadeira maturidade emocional está em sermos capazes de exercer aceitação diante da inevitabilidade destas transformações. Diante do espelho não devemos ver somente a nossa imagem e sim o desenvolvimento integral de um ser em seu percurso pela vida. A transformação é algo inevitável e constante, nossa aceitação também deve ser.

Pergunta: Diante da vida, da sua e da nossa vida, o que você pensa e sente sobre mudança, transformação e aceitação?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O papel sócio-político das novas mídias nos movimentos de massa

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Entendo ser interessante repensar a importância das mídias, em particular dentro dos novos procedimentos "on line" e os atuais movimentos sociais. Estamos na iminência de algo novo que irá romper com os atuais paradigmas vigentes e por isto mesmo fica difícil para esta geração identificar corretamente as dimensões dos fatos que agora estamos vivendo ou observando. As revoluções do Oriente e da África, bem como também em Portugal (geração à rasca; ps. no Brasil diríamos: enrascada ou em dificuldade), tiveram sem dúvida alguma presente em suas tramas sociais a importância do Twitter, do Facebook e de outras ferramentas digitais ou mais amplamente falando, da Internet. Penso que podemos comparar neste caso a Internet, enquanto instrumento presente em tais movimentos, aos canhões, também enquanto instrumentos, presentes na queda do Império Romano do Oriente ao derrubar os muros de Constantinopla.


Nos recentes protestos mundiais presenciados no começo de 2011 ficou claro e patente a importância das redes sociais visando articular e repercutir de modo eminentemente mais intenso e organizado os protestos ocorridos em uma dada região, para outras regiões. Claro também está que não foram às redes sociais as causadoras ou motivadoras de tais protestos, não foram elas sequer as sementes para o surgimento de um sentimento de revolta, pois, as condições sociais e políticas pré-existiam, como, por exemplo, em alguns destes países temos um profundo autoritarismo proveniente de autoridades que se perpetuam no governo há décadas, além da presença polêmica e constante dos interesses norte-americanos nestas regiões do planeta. Os governos eram sabidamente entendidos pelas populações de seus respectivos países como sendo ruins, coube as redes sociais unicamente servirem como catalisadoras da reação, permitindo que fatos ocorridos em um dado local fossem rapidamente levados a outro local, gerando um efeito cascata em prol de mudanças e sensibilizando a todos para a importância de movimentos a princípio isolados, no que estes tinham de potencial em termos de revolta e protesto legítimo.
Os fatos ocorridos nestes países, em particular no oriente médio, terão repercussão não somente em questões políticas, mas também em questões de segurança, fazendo com que os governos revejam seu planejamento diante das atuais e futuras redes sociais, tentando por um lado desarticular um possível movimento popular independente com base na proliferação de idéias por meio de tais redes, e por outro lado, proporcionando estratégias de controle e operacionalização de tais redes em benefício de políticas governamentais e da manipulação da população para que venha a acreditar e se comportar de acordo com os interesses dominantes, como de certo modo já é hoje feito nas mídias tradicionais, como, por exemplo, a tv e também a mídia impressa (jornais e revistas).
Hoje a Internet é o único campo realmente democrático e que permite a expressão genuína de todos para todos, o que a torna extremamente subversiva e perigosa aos olhos dos mais diversos governos tradicionais, o que irá gerar, ou melhor dizendo, já está gerando uma seqüência de tentativas governamentais, políticas e também por meio de agências de segurança, para prover novos procedimentos de rastreamento e controle de tudo o que se passa hoje na Internet e claro esta que todos os gestores de empresas que atuam na Internet provendo os mais distintos acessos estão sujeitos a pressões por parte dos governos visando a impor controle e castrar vozes anônimas de persistente oposição ou mero questionamento.
Uma grande vantagem dos meios disponíveis hoje pela Internet para articulação de um movimento social forte e independente de qualquer governo se dá diante da possibilidade que tais instrumentos proporcionam diante de uma rápida mobilização social com um custo financeiro extremamente baixo e a todos acessível, livre de burocracias e do peso político sindical por vezes desnecessário e contra-producente a um verdadeiro movimento de massas reivindicando direitos básicos. As novas redes sociais trazem consigo novos atores para a política internacional, que terá de se adaptar aos mesmos, tentando adestrá-los e extrair o seu potencial destrutivo e renovador.
As relações tradicionais presentes na estrutura governamental e nos sindicatos são verticais, onde existe uma linha de comando e poder que deve ser seguida, já nas novas mídias esta relação é horizontal, onde todos dialogam com todos, o que é extremamente revolucionário em si mesmo. Uma característica das relações tradicionais quando comparada às novas mídias é que a verticalização da linha de comando da primeira a torna mais lenta, enquanto a horizontalização do comando e do diálogo na segunda a torna eminentemente muito rápida e sem aparente controle. Diante do exposto, para enfrentar uma ação ou seqüências de ações efetuadas por grupos em dada rede social, somente estruturando outros grupos contrários aos primeiros e fazendo uso das mesmas redes sociais, pois, neste campo só se pode combater a informação emitida por uma rede, de dentro da própria rede social por meio dos mesmos instrumentos usados.
Falar que as novas mídias tendem a beneficiar mais a um determinado tipo de governo, seja este ditatorial ou democrático, carece de sentido, como também carece de sentido afirmar que os movimentos populares recentes nas quais as novas mídias tiveram um papel não pequeno representam a ponta do iceberg de uma estratégia de dominação mundial efetuada por grupos políticos, econômicos ou religiosos. Em verdade, tais movimentos são totalmente descentralizados e nisto se assemelham às mídias que utilizam, não podendo as mesmas ser monopolizadas por uma determinada ideologia (econômica, religiosa, política ou outra), podem, sim, serem usadas a favor de regimes ditatoriais, como também de regimes democráticos. O que de fato temos é um empoderamento de pessoas de posse do acesso rápido e barato a um número realmente muito grande de outras pessoas, o que se dá pelos mais distintos meios, dentre os quais o Orkut, muito comum aqui no Brasil, o Facebook, os blogs e sites, as mensagens instantâneas via MSN ou Twitter e diversos outros meios de divulgação existentes hoje na Internet mundial. Cabe aqui destacar que estes meios são diferentes se comparamos o Ocidente, com, por exemplo, a China ou o Japão ou a Coréia, onde os programas e sistemas reinantes são distintos e competem com marcas ocidentais tais como o Google, o Blogger e o Wordpress, dentre outras.
O aspecto catalisador que as novas mídias exercem no social proporciona uma maior rapidez e aceleração na velocidade de propagação de noticias e eventos, de modo que torna possível a concretização de fatos políticos que não teriam ocorrido sem esta rápida difusão descentralizada de uma mensagem. Não diria que as novas mídias são causa única de uma dada mudança sócio-cultural e política em determinado país, mas digo, sim, que sem elas as condições reinantes previamente existentes não teriam como sozinhas propiciar uma mudança dentro do tempo hábil necessário para sua concretização. Dito de outra forma, as novas mídias não podem ser responsabilizadas sozinhas como causa de uma revolução popular, mas sem a rápida difusão e a descentralização da informação por elas proporcionada, conjuntamente com o empoderamento do indivíduo, que passa a poder falar com todos, expondo suas idéias independente de quem este seja ou do cargo e posição social que ocupe, não teríamos, também, uma revolução neste momento histórico em particular.

Pergunta: Qual a sua opinião sobre a importância das mídias nos movimentos sociais de grande vulto?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Baratas: A sociedade e os intelectuais

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Por: Silvério da Costa Oliveira.
Certas cenas são de fato impagáveis e destas o seriado Arquivo X, que teve nove temporadas de 1993 até 2002 mais dois filmes levados ao cinema, está repleto. Neste momento penso em particular no episódio “A guerra das baratas” e nas cenas por demais absurdas interpretadas com o máximo de seriedade e profissionalismo por parte dos atores, como se fosse algo do mais natural possível e com uma realidade e dramaticidade impecável. Lembro que revi por diversas vezes este episódio em particular e uma destas vezes com um amigo, também intelectual, o que acabou motivando, entre risos e ironias, associar as baratas aos intelectuais, pois, nada pior do que uma barata irônica.

Cuidado Mulder! Nós não sabemos do que estas baratas são capazes”.
Bambi
Be careful. We don’t know what these cockroaches are capable of”.
Arquivo X – The X files
Terceira temporada, episódio número 12
Episódio: A guerra das baratas – War of the coprophages

Desde que o mundo é mundo, lá estão as baratas e mesmo se compararmos registros muito antigos e já fossilizados com as baratas atuais e contemporâneas, veremos que pouco mudaram. Apesar de haverem tipos diferentes de baratas, todas possuem traços comuns que as identificam dentro do grupo maior do qual fazem parte. Em geral solitárias, no entanto, algumas espécies se apresentam como gregárias, buscando a companhia de outras baratas. Durante o dia se escondem, saindo somente à noite, a não ser que precisem sair no período diurno buscando alimento e água ou em virtude de haver neste local um grande excesso populacional de baratas. As baratas têm uma grande capacidade de adaptação ao meio ambiente, de modo a persistirem em sua existência neste mundo, não por milhares e sim por milhões de anos.


Intelectuais às vezes são como baratas recebendo um jornal dobrado ou uma chinelada daqueles que não os entendem, não os suportam e mesmo possuem horror e asco de uma barata tão terrível que sequer gosta de futebol ou da novela da moda e pior ainda se for uma barata que não goste de bigs brothers. Mas as baratas persistem, não morrem ou desaparecem, e há tipos diferentes das mesmas, há aquelas baratas mais ligadas numa leitura e aquelas mais voltadas para a arte ou o cinema. Em geral baratas intelectuais não são muito sociais, se bem que haja também espécies gregárias, que buscam, incluso, não somente a companhia de outras baratas, para escândalo da comunidade “baratesca” e incredulidade dos demais seres que acreditam estarem vivos. Em verdade, baratas humanas parecem até que se escondem, em virtude dos locais e horários onde preferem estarem presentes.
O sonho de muitos seria exterminá-las e não poucos governos ditatoriais assim tentaram proceder, no entanto, por mais que os demais seres tentem se livrar das mesmas, no final, há sempre uma barata perto de você. São irritantes, sempre contradizendo a veracidade e obviedade dos fatos, em particular dos veiculados pela mídia televisiva. Basta uma grande nação divulgar com relação a um terrorista de renome que capturou, matou e jogou ao mar seu corpo, que lá estão as baratas dizendo que tudo é mentira, farsa e enganação e pedindo para que não nos atentemos aos detalhes produzidos para enganar a população e sim na visão geral e global dos fatos e perguntando em seguida pelo corpo de modo irônico e sarcástico. Ah! Estas baratas, como são chatas querendo com seus barulhinhos diminutos nos acordar de nosso sono profundo.
Como seria bom um mundo sem baratas, baratas humanas pensam demais e acabam fazendo com que outros seres tenham a dolorosa experiência de também pensar, que coisa horrível! Afinal, é tão bom não pensar...
Mas o pior de tudo é que baratas humanas são irônicas e nunca sabemos ao certo quando estão sérias ou brincando, quando estão se auto-satirizando ou satirizando a outros seres. Rir de uma piada de barata acaba sendo incômodo até para outra barata, afinal, será que existe realmente algo para rir ou tudo não passa de loucura puramente insana? Oh! deus, pedem os demais seres, dai-nos um mundo sem baratas. Enquanto isto, estas coisinhas horrorosas provavelmente pedem em seus pensamentos mais íntimos: Oh! baratas, dai-nos um mundo sem deus.

Pergunta: Grande irmão, você já pensou que bacana seria um mundo sem baratas?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

domingo, 10 de abril de 2011

Artigo sobre pedofilia e abuso sexual de crianças e adolescentes

No início de novembro de 2009 fui convidado pelo Ministério Público Estadual – MPE do Tocantins e pelo Departamento de Polícia Federal – DPF para ministrar palestras sobre o tema das drogas e dependência química, bem como, sobre o tema da pedofilia e abuso sexual de crianças e adolescentes no Estado do Tocantins, na região do Bico do Papagaio e Araguaia, e nas cidades de Pequizeiro e Araguatins. Na ocasião me comprometi a posteriormente escrever um artigo contendo parte das idéias por mim discutidas sobre pedofilia e abuso sexual de crianças e adolescentes, mas somente agora, em abril de 2011 é que me foi possível aprontar tal artigo e disponibilizar o mesmo para um público maior por meio de sua apresentação em formato PDF, gratuitamente, na Internet. Gostaria de aproveitar este espaço para agradecer novamente a audiência destas palestras, no interior do Estado brasileiro do Tocantins, que tão bem me recebeu nestas ocasiões.
Artigo gratuito no formato PDF em meu site http://www.doutorsilverio.com/
Título: “Pedofilia e abuso sexual de crianças e adolescentes”
Link direto para o artigo:
Autor: Silvério da Costa Oliveira.



Resumo do texto
Delimita-se o conceito de pedofilia enquanto quadro clínico previsto no CID 10 e no DSM-IV diferenciando o mesmo do abusador sexual de crianças e adolescentes, bem como da exploração sexual e comercial de crianças e adolescentes; relaciona-se a pedofilia e abuso sexual com a preferência por determinadas profissões que tornam o indivíduo mais próximo em suas atividades profissionais de crianças e adolescentes e que possam mascarar seu interesse predominante por crianças e adolescentes; apresenta-se de modo crítico a teoria do ciclo de violência; fala-se sobre os símbolos adotados pela sub-cultura que gosta sexualmente de crianças; aborda-se a prevenção e tratamento, bem como a identificação do abusador e da vítima; também é apresentada a legislação brasileira concernente ao tema.

Pergunta: O que você pensa sobre pedofilia e abuso sexual de crianças e adolescentes?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os filósofos pré-socráticos: Uma re-leitura crítica

Por: Silvério da Costa Oliveira.
Este artigo não se propõe a ser um texto explicativo ou introdutório aos filósofos pré-socráticos, muito pelo contrário, a proposta é argumentar filosoficamente a partir das contribuições destes pensadores, ressaltando os seus pontos fortes nas implicações sobre nossa forma de pensar e entender o mundo. Trata-se de um texto de autoria onde busca-se fazer filosofia e não história da filosofia.



OLIVEIRA, Silvério da Costa. Os filósofos pré-socráticos: Uma releitura crítica. Rio de Janeiro: [s.n.], 2011. 9 p. Disponível em: <http://www.doutorsilverio.com/>. Acesso em:

Título: Os filósofos pré-socráticos: Uma re-leitura crítica
Tema: Argumentações críticas; filosofia
Autor: Silvério da Costa Oliveira.

Este artigo foi inicialmente postado no blog “Comportamento crítico” na data de 20 de fevereiro de 2011 e em 10 de abril de 2011 foi publicado no site "Sexodrogas" e também no site "DoutorSilverio" na versão PDF onde atualmente se encontra  disponível gratuitamente. Acesse o artigo pelo link:

Palavras chaves
Filosofia; pré-socráticos

Resumo do texto
Neste artigo aborda-se de modo crítico os assim chamados filósofos pré-socráticos, com destaque para: Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Xenófanes de Colofón, Heráclito de Éfeso, Pitágoras de Samos, Parmênides de Elea, Zenão de Elea, Empédocles de Acragas, Filolau de Crotona, Anaxágoras de Clazomene, Arquelau de Atenas, Melisso de Samos, Leucipo de Mileto, Demócrito de Abdera e Diógenes de Apolônia.  Discorre-se sobre o interesse primário destes filósofos, voltado para a formação do mundo e do universo, uma tendência cosmológica que busca a explicação da totalidade do mundo exterior, deixando em segundo plano a discussão da problemática humana. Coube a estes filósofos o rompimento com a explicação mítica então reinante, de origem religiosa e popular, sobre o mundo e a Natureza, buscando por meio de suas filosofias uma explicação racional para o mundo circundante, por tal motivo passaram a ser também conhecidos como filósofos da Natureza ou físicos (no sentido de “physis”).

Pergunta: Como você entende a importância e aplicação educacional das idéias filosóficas dos assim chamados filósofos pré-socráticos na composição e formação do pensamento contemporâneo?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ovelhas, lobos e curingas

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Na vida, a grande maioria das pessoas comportam-se como ovelhas dentro de um grande rebanho e querem profundamente acreditar que são todas iguais, possuindo verdadeiro medo de se afastarem do rebanho, sendo rotuladas como diferentes. O maior sonho de muitos é ser alguém normal, um dentre muitos, igual a todos os demais. Mas nem todos se comportam como ovelhas em um rebanho, há também os lobos a quem as ovelhas temem e os curingas, que, tal como uma carta em um baralho comum, no baralho da vida não correspondem a qualquer naipe.



Há, claro, aquelas que não deixam de ser ovelhas e de estarem no rebanho, mas se destacam, como Rita Lee o diz em sua música, por serem a ovelha negra da família. Diferentes, mas ainda por demais vinculadas ao rebanho para poderem abdicar de sua condição de ovelha ou mesmo poderem deixar de ver a ilusão do rebanho. Ainda uma ovelha, não mais uma ovelha branca como todas as outras do rebanho, esta se destaca, mas sem deixar sua condição de ovelha.
Contando carneiros e ovelhas as pessoas adormecem no mais profundo sono, deixando sua consciência tranqüila divagar pelas imagens ilusórias do rebanho do qual fazem parte, onde seu maior temor é serem diferentes dos outros e sua tranqüilidade sonorífera é serem iguais, normais, idênticas aos demais. Ouvir as mesmas músicas que seu grupo, amar ou detestar os mesmos grupos musicais, vestir as calças da mesma marca, ter o mesmo corte de cabelo da moda igual a fulano que está em evidência na mídia, ler os livros e ver os filmes que todos lêem e vêem. Ser como os outros, que bom que é, deixar de pensar e não ser responsável pelos seus atos individuais, pois se pensa e se age grupalmente. Neste tocante o nível de inteligência individual procura igualar-se ao das massas, trata-se não mais do indivíduo e sim do rebanho e aqueles que ousam pensar e agir por si, individualmente, são as ovelhas negras da família.
Mas, se bem que a maioria das pessoas se comporte como ovelhas em um rebanho, temos também aquelas que mais se assemelhariam a um lobo solitário. Pelo menos seria assim que as demais ovelhas os veriam temerosas. Um lobo é um animal predador e a ovelha pode muito bem ser a sua presa, no entanto, já que falamos de grupos humanos, não nos referimos literalmente à morte da ovelha pelo lobo e sim simbolicamente a morte de tudo o que representa a ovelha e seu rebanho pelo lobo e é justamente este o grande medo das ovelhas, perderem a ilusão de seu rebanho.



Enquanto a ovelha negra da família ainda é ovelha, ainda mantém vínculos com o rebanho, o lobo não se vê mais como ovelha e sabe muito bem que não faz parte do rebanho. As demais ovelhas podem detestar e expulsar de seu convívio a ovelha negra, aquela que tenta ser ela própria e, portanto, diferente das demais, diferente do rebanho, mas ainda parte do mesmo, no entanto, tem verdadeiro temor do lobo, pois este já rompeu completamente seus vínculos ilusórios com o rebanho e as ovelhas podem ser suas presas para perderem a vida que mantém no rebanho, a ilusão de rebanho.
Existem as alcatéias, mas aqui me refiro mais enfaticamente a figura romântica e simbólica de um lobo solitário se contrapondo a um rebanho de ovelhas, pois, meu objetivo é explicar relações sociais e grupais humanas.
Dado interessante é que em se tratando de vida, de permanecer vivo, crescer e evoluir, na natureza os lobos não são uma ameaça para o ser humano, muito pelo contrário, ocorre que os seres humanos é que são uma séria ameaça a sobrevivência dos lobos, ameaçando a sua espécie, seja pela caça indiscriminada ou pelo envenenamento puro e simples. Aqui, neste nosso momento simbólico, cabe deixar claro que é o rebanho de ovelhas que de fato ameaça a vida e existência dos lobos e não o contrário, pois, não há ovelha, e muito menos rebanho, que não gostasse de ver os lobos mortos e não teriam o menor escrúpulo em participar ativamente desta mortandade. Afinal, para o rebanho de ovelhas o lobo nada mais é do que um animal demoníaco que deve ser ignorado, subjugado e morto. Afinal, Sócrates foi convidado pelos seus concidadãos atenienses a beber o veneno cicuta e Jesus Cristo, também pelos seus concidadãos, a morrer na cruz, isto dentre tantos outros lobos que poderia aqui citar.
Já o Curinga é uma carta de baralho que não se encaixa em qualquer um dos quatro naipes e de acordo com o jogo muda seu valor obedecendo à combinação de cartas nas mãos do jogador. Trata-se de uma carta especial que ao mesmo tempo em que pertence ao baralho, pode por alguns ser simplesmente descartada e jogada fora. Até mesmo sua apresentação é distinta das demais cartas, normalmente se apresenta como um palhaço e no baralho da vida é assim muitas vezes que o rebanho de cordeiros a vê. Diferentemente do lobo, não tem interesse algum em mudar o rebanho, brinca com a vida e se expressa com imoderada alegria que pode muito bem perturbar a paz do rebanho. Sua própria existência é a afirmação da ilusão do rebanho e da comicidade do mesmo, sim, pois o rebanho é algo deveras cômico quando apreciado de um nível superior.


O curinga é uma carta fora do baralho da vida, não pertencente a qualquer naipe, não pertence ao rebanho e não se mostra como lobo, trata-se da carta que pode ser descartada e jogada fora, o palhaço e talvez, a mais importante de todas as cartas, pois, pode assumir qualquer valor, dependendo somente da vontade, interesse e da experiência daquele que a possui. Muitas vezes a expressão é usada para designar uma pessoa que a semelhança com a carta, mostra-se capaz de desempenhar diversas atividades, alguém bem versátil.
No baralho temos quatro naipes de treze cartas cada, perfazendo o total de 52 cartas, mais o curinga, o qual simultaneamente não pertence a naipe algum e, no entanto, a todos pertence. Fora do baralho, não pertencente a qualquer naipe, podendo ser facilmente descartado e mesmo jogado fora por não fazer falta alguma. Único e diferente de todas as outras cartas do baralho, o curinga não somente no baralho de cartas, mas também no baralho da vida, é único e inigualável. Pela sua própria existência o curinga põe a nu a ilusão do rebanho em sua unicidade, por ser um palhaço para o rebanho, mostra e vê o que os outros não ousam enxergar, seu distanciamento mostra-se profundo e gera questionamentos que ultrapassam as crenças na nossa existência, sobre o que somos, fazemos e vivemos. O curinga, com certeza, é o ser mais perigoso para o rebanho e por isto mesmo ignorado, descartado e meramente jogado fora sem maiores e perigosos questionamentos.
É preciso que compreendamos e saibamos que há seres singulares que fazem a diferença e estes são os curingas da vida. Claro está que a grande maioria compõe o rebanho e está visceralmente presa a um enorme mundo de futilidades, cujo nível de profundidade de sua superficialidade mostra-se maior que o próprio universo. Talvez a finalidade, em um plano maior, da existência de curingas no baralho da vida seja gerar fascínio, questionamento sobre a própria existência singular única, repensar o mundo no qual nós vivemos e antever a idéia de algo diferente e que ultrapasse nosso mero olhar provinciano nos transportando em uma viagem sem fim e sem volta.

Pergunta: Tu és um carneiro, um lobo ou um curinga nesta vida?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)


domingo, 16 de janeiro de 2011

Preparação e ação, do bizarro ao grotesco

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Na vida encontramos pessoas que tem o hábito de agir sem pensar e também outras que nutrem o hábito de pensar sem agir, em ambas o sucesso tende a escapar dentre os dedos abertos de suas mãos como se água fosse. Há com certeza um limite ideal entre agir e pensar. Para o sucesso pessoal e profissional é preciso muita preparação, mas também é preciso que haja o momento em que encerramos a preparação e partirmos para a ação.
Se fossemos comparar as pessoas a um trem de carga, teríamos aquelas que passam a maior parte de sua vida carregando o trem, enquanto outras no desespero de sair logo da estação deixam de carregar o trem e saem com o mesmo completamente vazio.


Alguns intelectuais têm o hábito de ficarem com seu trem parado na estação da vida, sempre carregando seus vagões e nunca se dando por satisfeitos com os mesmos. Fazem uma faculdade, depois outra, lêem um livro, depois mais dez livros, fazem um curso para aprender algo, depois fazem outros cursos com o mesmo objetivo, ou seja, alguns intelectuais continuam a carregar os vagões em vez de os colocar nos trilhos e fazer rodar. Esquecem estes que trem vazio também roda.
Há outros, com bem menos conhecimento, que, no entanto, aparentam para o grupo social ao qual freqüentam que são bem mais inteligentes (mesmo não o sendo) e que possuem enorme conhecimento (mesmo não o possuindo).
Eu já me considerava um intelectual em 1985, quando ingressei em meu primeiro curso superior e minhas leituras já iam desde os clássicos aos mais modernos. Lembro-me de uma vez quando conversei por poucos minutos com um colega de classe sobre Carl Gustav Jung (1875-1961), pensador este ao qual estava me dedicando ao estudo de suas obras completas e também de vários comentaristas. Na época eu possuía um conhecimento aprofundado sobre este pensador e este colega nada sabia sobre o mesmo, no entanto, na aula seguinte foi este colega que se sobressaiu ao fazer um comentário pertinente citando parcialmente o pensamento de Jung, que eu havia acabado de lhe explicar. Não basta saber muito, as vezes a inteligência pode ser um empecilho para o sucesso, dificultando-o e não facilitando o mesmo. Saber menos de algo pode significar que o trem de carga fica bem menos tempo parado na estação enchendo seus vagões, no entanto, sabendo usar o pouco conhecimento que se tem de algo no momento e na oportunidade correta pode-se criar a ilusão de que o pouco é muito e que se sabe mais até do que a fonte na qual se foi beber.
Em uma sociedade midiática onde o bizarro e grotesco se destaca, parar na estação enchendo os vagões pode não ser tão eficiente para o sucesso do que fazer algo idiota como, por exemplo, pintar este mesmo trem de rosa choque e sair com ele completamente vazio. Aquela velha máxima de que um cachorro mordendo um homem não é notícia, mas um homem mordendo um cachorro o é, vale hoje perfeitamente para os meios de mídia brasileiros e também para boa parte da população, de gosto duvidoso. Pensemos, por exemplo, um intelectual com vínculos e convicções políticas e engajado em alguma corrente ideológica vir a ser eleito deputado (estadual ou federal) ou senador é algo normal e esperado e, portanto, não chama a atenção e é bem provável que por mais sério que este seja, o mesmo não venha a ser eleito. Já um palhaço nem um pouco intelectualizado, digamos, mesmo analfabeto, sem vínculos ou convicções políticas e não engajado em qualquer corrente ideológica ser candidato e vir a ser eleito encontra acolhida no bizarro e grotesco da coisa toda. É esta a sociedade que estamos nós construindo hoje, a sociedade midiatica do bizarro e do grotesco.
O certo seria que as pessoas fossem famosas pelo que fizeram ou fazem, ou seja, que haja algum conteúdo que o faça famoso, no entanto, o que observamos na sociedade midiatica na qual vivemos é que a pessoa é famosa porque é famosa, sem conteúdo algum, sem sumo algum para espremer nesta laranja. Para ser e continuar sendo famoso basta se trancar em uma casa ou algo análogo repleto de câmeras que mostram sua imagem constantemente na tv e na Internet para após ser expulso tornar-se famoso. Também, se você é uma adolescente e gosta de usar vestidos pequenos (mas grandes se comparados ao gosto carioca e a cultura brasileira em geral) e é molestada explicita e ruidosamente dentro de uma universidade por universitários que deveriam preservar certos valores, dentre os quais o valor da tolerância e, no entanto, se comportam como animais selvagens e pré-históricos (correndo eu aqui o risco de ofender aos verdadeiros animais na natureza), diante do bizarro e grotesco da cena, tem assegurada sua fama e mesmo sem o menor conteúdo ou atrativo (intelectual ou físico) ganha espaço constante nos mais diversos canais de mídia, os quais continuam a vender o homem que mordeu o cachorro, sem a menor responsabilidade social.
Aos profissionais de educação e de comunicação cabe a pergunta se estão conscientes de sua contribuição para a construção de valores nacionais, para o futuro, para a preservação e construção de valores, para a formação de nossos filhos e netos e da sociedade na qual estes irão viver.
                                                           
Pergunta: Qual o limite ideal entre aprimorar-se naquilo que se faz por um lado e, por outro, vir de fato fazer algo?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)